Desastres naturais geraram R$ 2,47 bilhões em danos e prejuízos na Bahia em 2025

Por Eduarda Pinto

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A Bahia registrou R$ 2,47 bilhões em danos materiais e prejuízos devido ao impacto dos desastres naturais no país. O valor foi apresentado no Atlas Digital de Desastres, painel atualizado anualmente pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec). Considerando os últimos 36 anos, entre 1990 e 2026, esse valor já supera os R$ 48 bilhões em prejuízos financeiros decorrentes de desastres.
As informações do painel foram atualizadas no mês de maio. Por definição, desastres naturais são compreendidos como o impacto de um fenômeno natural extremo ou intenso sobre um sistema social — ou seja, um país, uma região ou comunidade com presença humana — que causa sérios danos e prejuízos que excedem a capacidade dos afetados de conviver com o impacto.
Os dados foram segmentados no Atlas entre prejuízos de recursos humanos e econômicos. Nesta reportagem, serão abordados os dados relacionados aos prejuízos econômicos e financeiros dos desastres, que estão divididos entre danos materiais, prejuízos públicos e prejuízos privados.
Conforme a metodologia aplicada, os prejuízos públicos são aqueles que afetam o patrimônio ou as finanças do Estado e de órgãos públicos; os prejuízos privados são os vinculados a pessoas ou entidades não governamentais; e os danos materiais correspondem à estimativa dos danos patrimoniais.
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

HISTÓRICO DE DANOS

No último ano, a menor perda econômica entre as categorias foi registrada pelo Poder Público, incluindo o governo estadual e as prefeituras. Segundo o painel, o prejuízo público foi de R$ 179,08 milhões. Entre os valores gastos, destacam-se as despesas com abastecimento de água, que somam mais de R$ 91 milhões, equivalendo a mais de 53% do total. A assistência médica de urgência, com cerca de R$ 20 milhões em gastos (11,77%), e o esgotamento sanitário, com R$ 15 milhões (9,1%), também estão entre as principais despesas.
Os municípios com maiores prejuízos ao erário público por conta dos desastres naturais foram Bom Jesus da Lapa (R$ 24,6 milhões), na região do Velho Chico; América Dourada (R$ 8,9 milhões), no território de Irecê; e Morro do Chapéu (R$ 7,9 milhões), na Chapada Diamantina.
Em seguida, aparecem os danos materiais. Neste caso, foram mais de R$ 219 milhões em perdas, principalmente em infraestrutura. O Atlas aponta que, ao todo, foram R$ 108 milhões nesta categoria. O segundo maior dano material foi referente a estruturas comunitárias, com R$ 13,43 milhões.
Entre as cidades mais afetadas, Bom Jesus da Lapa volta a se destacar. O município registrou uma perda de R$ 35 milhões em danos materiais. Já no Vale do Jiquiriçá, a cidade de Brejões registrou um dano estimado em mais de R$ 27 milhões, e Macaúbas, no Velho Chico, aparece na terceira posição, com um dano de R$ 14,2 milhões.
Por fim, os dados do Atlas apontam que os prejuízos mais contundentes foram os causados na esfera privada. Ao todo, foram R$ 2,07 bilhões em perdas vinculadas a cidadãos, empresas e entidades não governamentais. A maior perda ocorreu no âmbito da agricultura, com um prejuízo de R$ 1,05 bilhão, seguido pela pecuária, com perdas estimadas em R$ 840 milhões.
Entre as cidades mais afetadas por prejuízos na esfera privada estão Paratinga (R$ 192 milhões), na região do Velho Chico; João Dourado (R$ 173 milhões), no território de Irecê; e Livramento de Nossa Senhora (R$ 111 milhões), no Sertão Produtivo baiano.
Vale destacar que os prejuízos públicos, geralmente atribuídos à seca, foram registrados entre janeiro e maio, enquanto os danos materiais tiveram picos em janeiro, maio e novembro. Na esfera dos prejuízos privados, os meses mais relevantes foram de março a maio e agosto.
As informações sobre os danos humanos dos desastres na Bahia podem ser conferidas na reportagem a seguir (veja aqui.)
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