Por Folhapress

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O governador do estado mexicano de Sinaloa, Rubén Rocha Moya, acusado pelos Estados Unidos de ter vínculos com o narcotráfico, anunciou o afastamento provisório do cargo. Ele é acusado, junto a outros nove políticos governistas, de associação a um cartel para distribuir grandes quantidades de drogas no território americano em troca de apoio e propinas.
Os EUA pedem ao México que Rocha Moya e os outros nove políticos governistas - entre eles o prefeito de Culiacán, capital de Sinaloa, Juan de Dios Gámez, que também afastou-se do cargo - sejam detidos. O governador, que é próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, afirma que as acusações da promotoria do Distrito Sul de Nova York, que pediu sua captura e extradição, são falsas e mal-intencionadas.
"Posso olhar nos olhos do meu povo e da minha família porque não os traí e nunca os trairei, e demonstrarei isso com firmeza no momento em que as instituições de justiça do nosso país exigirem", escreveu ele em comunicado.
O afastamento de Rocha Moya e de Dios Gámez de seus respectivos cargos abre caminho para que eles sejam investigados, já que eles deixam de ter foro privilegiado sem que seja necessário iniciar um processo legislativo para perda da imunidade e convocação pelas autoridades.
As renúncias foram anunciadas depois de a presidente do México, Claudia Sheinbaum, dizer que seu governo não aceitará intervenções de governos estrangeiros, e de a Procuradoria-Geral do país, responsável por analisar os pedidos de detenção, afirmar que não há provas suficientes contra os acusados e que pediria mais elementos para investigação a Washington.
"Não há nenhuma referência, não há nenhum motivo, não há nenhum fundamento, não há nenhuma evidência que nos permita apreciar o porquê da urgência da prisão provisória", disse Raúl Jiménez, porta-voz da área de assuntos internacionais da Procuradoria-Geral, durante entrevista coletiva na sexta-feira.
Além de testar a diplomacia entre EUA e México, a denúncia contra Rocha Moya pressiona o governo de Sheinbaum e de seu partido, o Morena (Movimento de Regeneração Nacional), pois é a primeira vez que um governador, um prefeito e um senador em exercício são acusados judicialmente de ter vínculos com o tráfico de drogas.
Na quinta-feira (30), a presidente Claudia Sheinbaum rejeitou as acusações e pediu que os EUA apresentassem "provas irrefutáveis". No dia seguinte, sem se referir diretamente a Washington ou a este caso, a líder mexicana afirmou que não permitiria que governos estrangeiros violassem a soberania do país.
"Nenhum governo estrangeiro pode entrar no nosso território porque aqui há mexicanas e mexicanos que defendem a pátria. Por isso, qualquer governo estrangeiro se depara com princípios", disse durante um evento público no estado de Chiapas.
O caso de Rocha Moya e dos políticos governistas vem à tona num momento em que o presidente dos EUA, Donald Trump, exige do México resultados na luta contra o narcotráfico.