Por Edu Mota, de Brasília

Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Em uma decisão que já era aguardada pelo mercado financeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14,75% para 14,50%. Foi o segundo corte seguido de 0,25% nos juros decidido pelo Banco Central neste ano.
A decisão de quarta-feira (29) foi unânime entre todos os membros do Comitê. De acordo com o comunicado do BC, o corte de apenas 0,25% na taxa se deu por conta de um cenário externo incerto, principalmente por conta do conflito no Oriente Médio.
"Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, disse o relatório do Copom.
O cenário interno também influenciou a decisão do Banco Central, principalmente por conta de uma “trajetória de moderação” em indicadores como crescimento da atividade econômica. Os índices inflacionários, que nos últimos dois meses tiveram uma aceleração, também foram mencionados pelo Copom.
“As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,9% e 4,0%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o quarto trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,5% no cenário de referência”, disse o comitê.
“Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, perante a indefinição acerca dos conflitos no Oriente Médio. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se:uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de restrições de oferta de petróleo e seus derivados;
uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais positivo;
uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada.
Em março, o Copom reduziu a taxa básica de juros de 15% para 14,75% após compreender que já seria o momento adequado para a redução. Com a Selic em 14,50%, ela chega ao menor patamar desde maio de 2025.