Saneamento e Resiliência às Mudanças Climáticas

A relação entre Saneamento e Resiliência às Mudanças Climáticas é crucial e emergente. Os sistemas de água e esgoto são extremamente vulneráveis aos eventos climáticos extremos – secas prolongadas, inundações intensas e tempestades – e, ao mesmo tempo, representam uma parte da solução. O saneamento moderno precisa ser planejado e construído com o objetivo de reduzir as emissões de gases de efeito estufa e aumentar a capacidade do sistema de absorver e se recuperar de choques climáticos.

Vulnerabilidade do Saneamento à Crise Climática

  1. Impacto das Secas: Secas extremas e crises hídricas reduzem o nível dos reservatórios e mananciais, comprometendo a captação de água e expondo as comunidades à escassez. Nesses cenários, a falta de água afeta diretamente a operação do saneamento, já que o uso de banheiros e a higiene pessoal dependem do abastecimento.

  2. Impacto das inundações: Chuvas intensas causam inundações urbanas, que danificam a infraestrutura de tratamento (inundando estações de bombeamento e ETEs) e, pior, causam o extravasamento do esgoto para ruas, casas e redes de água pluvial. Esse extravasamento gera uma contaminação maciça e aumenta o risco de surtos de doenças (como a leptospirose e a cólera) após a enchente.

O Saneamento como Solução de Resiliência

  • Infraestrutura Verde (Drenagem): A implementação de sistemas de Drenagem Urbana Sustentável (SUDS), como pavimentos permeáveis, jardins de chuva e telhados verdes, é uma obra de saneamento que aumenta a resiliência. Essas soluções diminuem a velocidade do escoamento, reduzem o risco de inundação e recarregam o lençol freático, ao invés de sobrecarregar os canais.

  • Água de Reuso e Fontes Alternativas: Investir em água de reuso e dessalinização garante fontes de água independentes das chuvas, aumentando a segurança hídrica em períodos de seca.

  • Recuperação de Energia e Baixo Carbono: Estações de tratamento que capturam o biogás (metano) para gerar eletricidade (cogeração) reduzem as emissões de metano (um gás de efeito estufa 25 vezes mais potente que o CO2) e diminuem a dependência da rede elétrica, garantindo a continuidade da operação da estação mesmo em blackouts causados por tempestades.

  • Proteção da Infraestrutura Crítica: Obras de reforço e elevação de estações de tratamento e estações elevatórias de esgoto em áreas de risco de inundação são essenciais para garantir que o saneamento não entre em colapso durante eventos extremos.                              Obras

  • O investimento em saneamento é uma política de adaptação climática. Construir infraestrutura resiliente e sustentável é o caminho para proteger a saúde e a economia das cidades contra os impactos crescentes da crise ambiental.

Fonte: Izabelly Mendes.
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