Reciclagem no Brasil: Avanços e Desafios

A Reciclagem no Brasil é um setor de contrastes, marcado por Avanços notáveis (liderança mundial em reciclagem de alumínio) e Desafios estruturais profundos, especialmente na universalização da coleta seletiva. O marco regulatório principal é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS - Lei 12.305/2010), que estabeleceu diretrizes ambiciosas, mas cuja implementação ainda é desigual e lenta.

Avanços e Pontos Fortes

  1. Liderança no Alumínio: O Brasil sustenta consistentemente taxas de reciclagem de latas de alumínio superiores a 98%, um recorde mundial. Esse sucesso é impulsionado pelo alto valor de mercado do material e pela organização (formal e informal) da cadeia de catadores, que garante a capilaridade da coleta.

  2. Marco Legal (PNRS): A PNRS é uma lei de vanguarda que proíbe lixões, estabelece a Logística Reversa (responsabilidade do fabricante pelo ciclo de vida do produto) e, crucialmente, obriga os municípios a integrar e remunerar as cooperativas de catadores na coleta seletiva, reconhecendo seu valor socioambiental.

  3. Participação Industrial: O setor industrial (especialmente de alumínio, vidro e papelão) possui capacidade e tecnologia para reprocessar o material em grande escala, demonstrando que a demanda por matéria-prima secundária existe.

Desafios Estruturais e Lacunas

  1. Baixa Cobertura da Coleta Seletiva: O maior desafio é a escala. Apenas uma fração dos municípios brasileiros possui coleta seletiva de forma eficiente e contínua. A grande maioria da população urbana ainda mistura o reciclável com o orgânico, comprometendo a pureza do material.

  2. Descumprimento da Logística Reversa: Muitos fabricantes ainda não implementaram ou não financiam de forma adequada os sistemas de Logística Reversa, como exigido pela PNRS, sobrecarregando os municípios e as cooperativas.

  3. Inclusão Deficiente dos Catadores: Embora a PNRS exija a inclusão dos catadores, na prática, muitos municípios ainda falham em formalizar as cooperativas e em garantir a remuneração pelo serviço de triagem, forçando-os a depender apenas da venda do material e expondo-os à informalidade e à vulnerabilidade.

  4. Desafio dos Aterros e Lixões: Milhares de toneladas de lixo ainda são despejadas em lixões ou aterros irregulares, em clara violação da PNRS, que estabeleceu o fim dos lixões.            Obras

O futuro da Reciclagem no Brasil depende da fiscalização e do investimento no cumprimento da PNRS, especialmente na universalização da coleta seletiva e na inclusão efetiva e remunerada das cooperativas de catadores.

Fonte: Izabelly Mendes.
Postagem Anterior Próxima Postagem

Leia o texto em voz alta:


Adicione este site à tela inicial para acessá-lo mais rápido!