Por Thaísa Oliveira e Carolina | Folhapress

Foto: Agência Brasil
A queda sofrida por Jair Bolsonaro (PL) levou familiares e aliados a aumentarem a pressão por uma prisão domiciliar e desencadearam comparações com o ex-presidente Fernando Collor e com o homem preso em 8 de Janeiro que morreu no Complexo Penitenciário da Papuda, Clériston Cunha, conhecido como Clezão.
Em paralelo ao novo pedido que será apresentado pela defesa ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, deputados federais avaliam enviar uma leva de pedidos ao presidente da corte, Edson Fachin.
Um primeiro ofício foi enviado a Fachin nesta terça-feira (6) pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), para que o presidente da corte passe a acompanhar decisões relativas à situação de saúde de Bolsonaro. Segundo o deputado federal coronel Chrisóstomo (PL-RO), outros parlamentares devem fazer o mesmo nos próximos dias.
Bolsonaristas afirmam que a prisão domiciliar deve ser a nova briga travada pela bancada do PL no Congresso, nos moldes da campanha feita nos últimos meses por uma anistia ampla.
"É muito importante que ele vá para casa. Está muito claro o risco que ele corre até de morrer", afirma a deputada federal Bia Kicis (PL-DF). "Não dá para ficar nessa situação. Por isso que eu e a família temos feito esse apelo: ele precisa ir para casa. Uma prisão humanitária. É uma questão de responsabilidade."
Interlocutores do ex-presidente têm demonstrado incômodo com a equipe médica, que, na avaliação deles, não têm corroborado o discurso da família de que Bolsonaro está com a saúde fragilizada.
Segundo essa leitura, são os médicos, e não os familiares, que têm credibilidade para atestar os riscos da prisão na sede da PF para a saúde de Bolsonaro e, por isso, deveria partir desses profissionais a argumentação para embasar a prisão domiciliar.
Pelo contrário, para a frustração de aliados do ex-presidente, os boletins médicos divulgados durante as recentes internações, na última semana de dezembro e também nesta quarta-feira (7), indicaram que Bolsonaro não tem problemas graves.
O desta quarta afirmou que os exames de imagem evidenciaram "leve densificação de partes moles na região frontal e temporal direita, decorrente do trauma, sem necessidade de intervenção terapêutica".
Ainda recai sobre os médicos a reclamação de que Bolsonaro teve alta do hospital no dia 1º de janeiro e, cinco dias depois, teria tido um novo mal-estar a ponto de cair enquanto tentava caminhar, de madrugada.
Segundo a Folha apurou, familiares, amigos e advogados de Bolsonaro têm sido aconselhados a pressionar a equipe médica para que os cuidados em relação ao ex-presidente e a comunicação à imprensa reflitam a maior gravidade do caso.
Do ponto de vista da imagem de Bolsonaro, embora haja críticas de que expor a fragilidade do seu estado de saúde poderia diminuir sua força política, a avaliação de parte dos aliados é a de que não haverá perda nesse sentido, já que os problemas de saúde do ex-presidente são conhecidos e que a necessidade de tratamento se impõe em primeiro lugar.
Após avaliar o ex-presidente nesta quarta, o cardiologista Brasil Caiado disse que a lesão decorrente da queda "não é preocupante", mas disse que ele não tem condições de ficar sozinho.
Familiares de Bolsonaro também passaram a afirmar que a cela da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal é "insalubre", devido a umidade e a um ruído constante do ar condicionado central.
A PF afirmou ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que não tem como solucionar o problema.
"Ele não dorme. Ele fala que é torturante. Não é um barulho de ar condicionado que fica na sala dele, é um barulho do ar condicionado central, que impossibilita qualquer pessoa de ter uma vida saudável, mesmo em uma solitária", afirma o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), filho do meio do ex-presidente.
"Há muitos quadros estranhos acontecendo que nos levam a crer que a melhor situação no momento é ele ser acompanhado dentro de casa da sua esposa, da sua filha, da sua família. Provavelmente é um acidente que vai acontecer novamente e isso nos deixa totalmente aflitos nesse momento."
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) apontou negligência da Polícia Federal, diante do episódio desta terça e disse que caiu por terra a alegação de que o ex-presidente teria pronto atendimento, até mesmo pela localização —ao lado de um dos setores hospitalares de Brasília.
Michelle também comparou a situação do marido com a de Collor, que cumpre pena em regime domiciliar com tornozeleira eletrônica, por determinação de Moraes.
"Não minimizando o quadro de saúde do ex-presidente Collor, mas ele foi liberado porque ele tem apneia do sono. Meu marido tem outras comorbidades", disse a ex-primeira-dama em frente ao hospital onde Bolsonaro havia feito exames.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado em uma sala na sede da PF em Brasília. Quando estava em prisão domiciliar, ele tentou romper a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.