‘Roubaram nosso petróleo’, diz Trump ao anunciar exploração

_Trump já dava sinais de que seu foco era o petróleo venezuelano ao apreender petroleiros de Caracas_

Foto: MANDEL NGAN / AFP

Donald Trump deixou claro seu maior interesse na Venezuela durante a coletiva de imprensa ontem na qual revelou detalhes da captura do ditador Nicolás Maduro. Segundo ele, os consecutivos governos venezuelanos “roubaram” petróleo dos EUA e a partir de agora as empresas americanas vão explorar as gigantes reservas de petróleo da Venezuela.
“Vamos fazer com que nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, entrem em cena, gastem bilhões de dólares, consertem a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e comecem a gerar lucro para o país”, disse Trump.
Ele afirmou que a indústria petrolífera do país estava “um fracasso total” há muito tempo. “Eles estavam bombeando quase nada em comparação com o que poderiam estar bombeando”.
Trump já dava sinais de que seu foco era o petróleo venezuelano ao apreender petroleiros de Caracas durante sua operação de pressão ao regime de Maduro nas últimas semanas.
Não está claro, porém, se as empresas americanas estariam interessadas em assumir os custos da reconstrução. “Elas serão reembolsadas pelo trabalho que estão realizando”, assegurou o presidente.
“Venderemos grandes quantidades de petróleo para outros países, muitos dos quais já o utilizam, mas eu diria que muitos mais virão”, completou.

Maior reserva

A Venezuela afirma ter mais de 300 bilhões de barris de petróleo no subsolo, o que corresponde a 17% das reservas globais, as maiores do mundo. Mas Caracas tem dificuldades para produzir o óleo bruto, com sua produção sendo de cerca de um milhão de barris por dia, ou 1% da produção global.
O país já foi uma potência do setor, mas as constantes crises econômica e social, somadas à má-gestão da gigante estatal PDVSA e as inúmeras sanções ao setor do país pelos EUA deixaram a indústria em frangalhos.
O setor apresentou alguma recuperação nos últimos anos, mas a produção está bem abaixo dos mais de dois milhões de barris por dia que produzia no início da década de 2010.
A PDVSA não possui mais o capital e a expertise necessários para aumentar a produção. Os campos petrolíferos do país estão degradados e sofrem com “anos de perfuração insuficiente, infraestrutura precária, frequentes cortes de energia e roubo de equipamentos”, segundo um estudo recente da Energy Aspects, empresa de pesquisa. Os EUA impuseram sanções ao petróleo venezuelano, que agora é exportado principalmente para a China.

Incerteza

Em teoria, as empresas petrolíferas americanas poderiam ajudar a revitalizar gradualmente o setor. “Mas não será uma tarefa simples”, afirmou Richard Bronze, chefe de geopolítica da Energy Aspects.
Analistas afirmam que o aumento da produção venezuelana não será barato. A Energy Aspects estimou que adicionar mais meio milhão de barris por dia à produção custaria US$ 10 bilhões e levaria cerca de dois anos. Aumentos significativos podem exigir “dezenas de bilhões ao longo de vários anos”, afirmou a empresa
Segundo o site Politico, o governo americano vinha há vários dias oferecendo as reservas venezuelanas a empresários americanos. Contudo, a situação de degradação da indústria do país deixa o setor americano inseguro. A falta de clareza sobre quem governará o Palácio Miraflores de agora em diante também desanima os empresários, diz o site.
A Chevron é a principal empresa ocidental ainda em operação na Venezuela e produz cerca de um quarto do petróleo venezuelano. No início deste século, quando outras empresas foram forçadas a sair, ela permaneceu, acreditando que as condições poderiam eventualmente melhorar.

Aproximadamente metade da produção da Chevron é exportada para os EUA.

Neste sábado,3, a Chevron afirmou em comunicado que estava tentando garantir a segurança de seus funcionários e de suas operações no país. “Continuamos a operar em total conformidade com todas as leis e regulamentações relevantes”.

Estadão Conteúdo
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