Única região em que Lula venceu, Nordeste tem apenas 4 nomes na equipe de transição

Por Lula Bonfim

Foto: Ricardo Stuckert

O Nordeste deu a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma grande vantagem nas eleições de outubro. Graças à grande votação do candidato petista na região, as vantagens adquiridas pelo adversário no Sul, no Sudeste, no Centro-Oeste e no Norte foram insuficientes para a reeleição do atual presidente Jair Bolsonaro (PL).
Entretanto, dentre os 44 nomes da equipe de transição anunciada até agora pelo vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB), apenas quatro nordestinos aparecem. Entre eles, dois são baianos: Rafael Lucchesi, no grupo de Indústria e Comércio; e Preta Ferreira, na área de Igualdade Racial.
O quarteto nordestino é fechado pelo cearense Rubens Linhares, que é um dos integrantes do grupo de Direitos Humanos; e pela pernambucana Givânia Maria Silva, na área de Igualdade Racial.
Apenas um dos quatro, porém, reside na região. Lucchesi e Preta nasceram na Bahia, mas hoje atuam em Brasília e São Paulo, respectivamente. Do sertão pernambucano, Gilvânia também se firmou no Distrito Federal. Somente Rubens Linhares mantém residência em seu estado de origem.
Dos outros 40 integrantes anunciados por Alckmin, 16 são de São Paulo, 8 do Rio de Janeiro, 5 do Paraná, 3 de Minas Gerais, 3 do Rio Grande do Sul, 2 do Mato Grosso do Sul, 2 do Amazonas e 1 do Distrito Federal.
A pouca representatividade nordestina nos grupos anunciados por Alckmin gerou reclamações de eleitores nas redes sociais. Mesmo algumas figuras ligadas à esquerda apontaram que a região Nordeste deveria ocupar um espaço maior na equipe de transição de Lula.
“O Nordeste negro ganha as eleições presidenciais e elege Lula, mas o Sudeste/Sul branco e derrotado dá as cartas e compõe, quase exclusivamente, a equipe de transição. Grupo de igualdade racial sem a Bahia, nenhum nordestino nos grupos estratégicos. Sudestinocentrismo escandaloso”, criticou nas redes sociais o professor Samuel Vida, que já foi presidente do PT em Salvador.
Procurada pelo Bahia Notícias, a assessoria de imprensa de Lula preferiu não se aprofundar muito e disse apenas que a equipe de transição não será a mesma que atuará durante o próximo governo.
“A equipe de transição não é a equipe de governo e contém muitos colaboradores de todo o Brasil além dos coordenadores. Ela é uma equipe temporária de diagnóstico da situação atual do Estado após o governo Bolsonaro”, diz a nota de Lula.
O PT-BA – responsável por uma das quatro vitórias do partido em governos estaduais e pela maior vantagem de votos obtida por Lula – também foi procurado para que se manifestasse sobre o tema. Entretanto, até o momento da publicação desta nota, o diretório estadual da sigla não emitiu nenhuma resposta.
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