Novembro Azul: rastreamento genético como aliado no tratamento do câncer de próstata


Foto: Divulgação

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) sobre o câncer de próstata revelam um quadro preocupante: até o final do ano estima-se que sejam diagnosticados no Brasil 65.840 novos casos da doença, correspondendo a 29,2% dos diagnósticos de todos os tipos de tumores registrados no país, fazendo deste o mais incidente entre os homens depois do câncer de pele não-melanoma. De acordo com números do Sistema de Informação sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, de 2019 a 2021, mais de 47 mil mortes foram registradas em razão do câncer de próstata. Só em 2021, 16.055 homens morreram em consequência da doença, correspondendo cerca de 44 mortes por dia.
Segundo dados do Ministério da Saúde, um em cada nove homens vai receber o diagnóstico da doença ao longo da vida. O oncologista da Oncoclínicas Brasília, Paulo Lages, afirma que, por conta desses números, as ações de conscientização do Novembro Azul se mostram cada vez mais relevantes e necessárias. “É importante lembrar que esse mês de conscientização vai muito além da próstata. Temos um problema sério quando avaliamos a saúde do homem de uma forma geral. Esse problema vem de berço, porque quando o menino e a menina deixam de se consultar no pediatra, a menina é encaminhada para ginecologista devido ao início da vida reprodutiva, mas o menino não. Ele acaba ficando ‘sem médico’. Não criamos o hábito do menino dar continuidade a esse acompanhamento e por isso, digo ser um problema de berço. A gente acaba falando que o homem é preconceituoso, que tem medo de ir ao médico, que não gosta de fazer o exame de toque aos 50 anos. É por conta disso que existe uma resistência grande e esse fator talvez possa explicar o motivo que a sobrevida do homem é menor. Talvez seja simplesmente porque a mulher tem a cultura de se cuidar mais. O homem tem que aprender a se cuidar um pouco mais e implementar a rotina de efetuar todos os exames necessários”, afirma o médico.
O especialista comenta que, atualmente, o teste genético é um grande aliado no tratamento do câncer de próstata, pois é uma estratégia que pode garantir acesso a terapias que só funcionam para pacientes com algumas mutações específicas e, com isso, definir condutas para melhora de prognóstico. “ Tendo conhecimento da presença ou ausência de determinadas mutações genéticas, é possível realizar tratamentos específicos e focados no ‘ataque’ à mutação, como o BRCA1, BRCA2 e ATM. Existem outros benefícios do teste e um deles é para família. Através do teste é possível mudar o rastreio dos parentes de primeiro grau. Pais, irmãos e filhos podem ter que ser rastreados de uma forma diferente do que é o habitual para um homem que não tem essa alteração. Sem falar que essa mesma mutação pode ainda estar ligada a mais de um tipo de câncer, como mama e ovário. Com isso, o paciente às vezes começa a checar com mais detalhes outras doenças que, em princípio, não seriam pesquisadas”, afirma.
Paulo Lages ressalta ainda que outro ponto importante do rastreamento é que existem alguns casos de câncer de próstata que, no geral, não precisam ser tratados, mas só acompanhados dentro de uma estratégia chamada vigilância ativa. “Nesses casos, se a gente descobre que o paciente tem uma mutação para câncer de próstata agressivo, pode ser que a melhor opção para ele não seja só o acompanhamento, mas sim o tratamento. A avaliação genética pode também influenciar na decisão terapêutica”, reforça Paulo Lages.

Tratamentos têm evoluído

Entre as boas notícias para os pacientes, o médico da Oncoclínicas Brasília aponta importantes avanços no tratamento do câncer de próstata por meio de novas drogas e terapias modernas. “Atualmente temos vários agentes hormonais, quimioterapias e terapias mais modernas – chamada teranóstico. Esses teranósticos são o que temos de mais recente no tratamento da doença. Assim como as drogas alvo focadas naqueles pacientes com mutações em genes de reparo do DNA (BRCA1, BRCA2 e ATM)”, afirma o médico.

Diagnóstico precoce

Paulo Lages reforça que o diagnóstico precoce de qualquer tipo de câncer é fundamental e está diretamente relacionado com a chance de cura. “Temos que tirar um pouco da nossa cabeça que o câncer de próstata não é uma doença grave. É sim. Não é à toa que é a segunda causa de morte por câncer em homens do Brasil. Só perde para câncer de pulmão. A gente não pode simplesmente banalizar esse tumor. Dados americanos mostram que a cada três minutos um paciente morre de câncer de próstata. Então é sim uma doença que mata e, através dos exames que todo homem acima dos 50 anos deve fazer, auxilia no sucesso do tratamento”, afirma o especialista.
O oncologista ressalta que o diagnóstico precoce também está intimamente relacionado a uma redução de complicações. “Quando descoberto em estágio inicial, menor a chance de consequênciascomo incontinência, impotência e complicações intra-operatórias. , finaliza o Dr. Paulo Lages.

Sobre a Oncoclínicas

Fundada em 2010, a Oncoclínicas (ONCO3) é o maior provedor de tratamento oncológico do Brasil e da América Latina. O grupo conta com 129 unidades, entre clínicas de especialidades, diagnóstico e prevenção do câncer, centros ambulatoriais de tratamento infusional e radioterapia, laboratórios de genômica, anatomia patológica e centros de alta complexidade (cancer centers), estrategicamente localizados em 35 cidades brasileiras. Desde sua fundação, a Oncoclínicas tem passado por um rápido processo de expansão, com o propósito de elevar e democratizar o acesso ao melhor tratamento oncológico. O corpo clínico da Companhia é composto por mais de 1.900 médicos especialistas com ênfase em oncologia, além das equipes multidisciplinares de apoio, que são responsáveis pela linha de cuidado integral no combate ao câncer. A Oncoclínicas tem parceria exclusiva no Brasil como o Dana-Farber Cancer Institute, um dos mais renomados centros de pesquisa e tratamento do câncer no mundo, afiliado à Harvard Medical School, em Boston, EUA.
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