Tire suas dúvidas sobre os cigarros eletrônicos


Maria Tereza Santos
São Paulo, SP

A Secretaria Nacional do Consumidor, vinculada ao Ministério da Justiça, ordenou a 33 empresas a suspensão da venda de cigarros eletrônicos. A decisão, publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (1º), determina que os estabelecimentos deixem de vender o produto em 48 horas sob pena de multa de R$ 5.000 por dia.
A publicação reacendeu o debate sobre a proibição dos cigarros eletrônicos, cuja comercialização, importação e propaganda não são permitidas no Brasil. Saiba mais sobre esses dispositivos e as polêmicas que envolvem a discussão sobre o seu uso.

COMO FUNCIONAM OS CIGARROS ELETRÔNICOS?

Os cigarros eletrônicos, também chamados de e-cigarette, vapes, e-pipe, e-ciggy e tabaco aquecido, atuam quase da mesma forma que os cigarros tradicionais. A diferença é que, em vez de queimar por combustão, eles funcionam por vaporização. Isso porque eles contêm um líquido que é aquecido e gera o vapor aspirado pelo usuário.
Eles surgiram em 2003, na China. Depois de perder o pai por câncer de pulmão, o farmacêutico Hon Lik criou o dispositivo procurando uma forma de parar de fumar.

OS CIGARROS ELETRÔNICOS SÃO MENOS TÓXICOS QUE OS NORMAIS?

Segundo defenderam em maio cerca de 50 entidades médicas, não. Diferentemente do que muitos acreditam, os cigarros eletrônicos possuem nicotina na sua composição, que é a grande responsável pelo desenvolvimento do vício. Além disso, provocam o mesmo processo inflamatório no aparelho respiratório e cardíaco dos cigarros convencionais, que levam a hipertensão, aterosclerose, infarto e morte. Só que bem mais rápido.
A causa por trás desses desdobramentos está nos outros componentes tóxicos presentes no líquido do vape. “Além da nicotina, ele é composto por partículas ultrafinas de metais pesados, alta concentração de níquel, elementos aromáticos, glicerol e outros aditivos. Essa interação, inclusive, forma novas substâncias desconhecidas”, diz a cardiologista Jaqueline Scholz, assessora científica da Socesp (Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo).

OS CIGARROS ELETRÔNICOS AJUDAM A COMBATER O VÍCIO?

“O cigarro eletrônico nasceu com a promessa de simular a dependência em nicotina de forma mais leve e, teoricamente, menos tóxica para as pessoas conseguirem deixar o vício. Mas na prática isso não aconteceu”, afirma o oncologista Igor Morbeck, membro do Comitê Científico do Instituto Lado a Lado pela Vida.
De acordo com a cardiologista Jaqueline Scholz, inicialmente a carga da substância fornecida por esses dispositivos de fato era mais baixa. “Mas os atuais, pertencentes à terceira e quarta geração, são mais potentes. As pessoas até conseguem trocar o convencional pelo eletrônico, mas não param de fumar”, alerta a especialista.

QUAL É A POSIÇÃO DA ANVISA?

Em razão desses problemas, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) proibiu a comercialização, importação e propaganda de cigarros eletrônicos no Brasil em 2009. O órgão até abriu discussão para uma possível atualização da resolução dez anos depois, mas a diretoria colegiada, que se reuniu em julho deste ano, decidiu manter a proibição.

O QUE ARGUMENTAM AS FABRICANTES?

Defendem a regulamentação desses produtos, com a definição de regras sanitárias, de segurança e de qualidade, para que os consumidores não fiquem expostos a produtos contrabandeados sem controle de fabricação. Dizem que a proibição no Brasil está na contramão do que ocorre no mundo e contribui para crescimento do contrabando e do comércio ilegal diante da alta demanda de fumantes adultos por esses dispositivos.
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