Bolsa fecha pior mês desde o início da pandemia

Por Clayton Castelani | Folhapress

Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Bolsa de Valores brasileira encerrou abril com a maior queda mensal desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. Em movimento oposto ao das ações, a taxa de câmbio fechou o primeiro mês em alta em 2022.
A inflação mundial faz os gestores do dinheiro apostarem cada vez mais que as principais economias globais serão forçadas a aumentar agressivamente seus juros para tentar conter a alta dos preços.
Essa preocupação é especialmente direcionada aos Estados Unidos, onde o Fed (Federal Reserve, o banco central do país) divulgará na semana que vem nova elevação da taxa de crédito do país. Juros mais altos por lá atraem dólares para o Tesouro americano e, com isso, enfraquecem moedas de países emergentes e os mercados de ações.
Depois de encerrar esta sexta-feira (29) em queda de 1,86%%, o Ibovespa, índice de referência para as ações brasileiras, terminou abril com um tombo de 10,10%. Em março de 2020, o indicador havia afundado 29,9%.
No câmbio, o dólar subiu 3,82%% neste mês, primeiro ganho mensal desde outubro do ano passado e maior alta em um período de 30 dias desde setembro de 2021. A cotação diária nesta sexta oscilou positivamente em 0,06%, a R$ 4,9430.
O câmbio ainda teve um dia volátil devido à formação da Ptax, taxa que serve de referência para liquidação de contratos em dólar. No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes às suas posições.
Os resultados finais do dia no mercado financeiro doméstico reverteram por completo as perspectivas otimistas da abertura da sessão, quando houve forte alta da Bolsa e queda do dólar sob o embalo da entrada de investimentos nas ações do setor de commodities.
O otimismo inicial vinha da China, onde o governo prometeu suporte ao crescimento econômico do país, esforçando-se para manter metas de crescimento apesar dos desafios impostos pela pandemia de Covid e pela guerra na Ucrânia.
O mercado de ações do Brasil é sensível às oscilações no gigante asiático porque o país é o maior consumidor das duas matérias-primas mais relevantes para as empresas da Bolsa brasileira, que são o minério de ferro e o petróleo.
Apesar da onda de otimismo gerada pela notícia, analistas disseram ao The Wall Street Journal que a meta da China de 5,5% de crescimento do produto interno bruto seria difícil de alcançar com muitas grandes cidades fechadas devido à política de zero Covid-19 no país.
O índice que acompanha ações de empresas listadas em Xangai e Shenzhen avançou 2,43%. A Bolsa de Hong Kong disparou 4,01%.
Expectativas de aquecimento da economia chinesa também impulsionavam a alta de 1,63% do preço de referência do petróleo bruto. O barril do Brent estava cotado a US$ 119,34 (R$ 537,78) no final da tarde desta sexta.
Nos Estados Unidos, o índice de referência da Bolsa de Nova York caiu 8,80% em abril e, assim como ocorreu com o Ibovespa, teve o seu pior resultado mensal desde o tombo de 12,51% em março de 2020. No fechamento diário, o S&P 500 perdeu 3,63%.
O indicador focado no setor de tecnologia mergulhou 4,17%. O Dow Jones, que acompanha empresas de grande valor, caiu 2,77%.
Resultados negativos no setor de tecnologia no primeiro trimestre, principalmente os da Amazon, contribuíram significativamente para piorar o humor dos investidores em Wall Street. As ações da companhia despencaram 14,05%.
"As bolsas americanas, como o Nasdaq, entraram em 'bear market', quando o índice cai mais de 20% em relação ao pico anterior, com as perspectivas de que o Fed precisará subir mais rapidamente as taxas de juros no país para controlar a inflação", comentou Alexandre Espirito Santo, Economista-Chefe da Órama.
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