Aliança Lula-Alckmin não encerra disputa PT-PSB

A aliança entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador Geraldo Alckmin, selada na sexta-feira, 8, não solucionou as disputas regionais entre PT e PSB nos Estados – em algum deles, como São Paulo, a contenda é mais evidente. O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) e o ex-governador Márcio França (PSB) mantêm suas pré-candidaturas ao governo de São Paulo, expondo divergências entre as siglas e cobranças.
Os recados mais abertos foram dados pelos pessebistas, insatisfeitos com a falta de apoio do PT nos Estados. Petistas têm evitado o confronto declarado, mas atuam nos bastidores para fazer valer suas posições.
Na quinta-feira, Haddad, Alckmin e França se encontraram na casa do ex-prefeito para tentar chegar a um acerto em torno das candidaturas. O acordo não foi fechado. No dia seguinte, França chegou ao evento no qual o PSB indicou Alckmin como vice de Lula reafirmando que era o candidato mais viável ao governo.
“Vocês acham que um eleitor vai deixar de votar no Tarcísio (de Freitas) no segundo turno para votar no Haddad?. Você vê um bolsonarista votando no Haddad?”, questionou o ex-governador.
O ex-prefeito petista cumpria agenda em São José do Rio Preto, que já havia sido marcada há um mês. A morte do jurista Dalmo Dallari fez com que ele desmarcasse todo o resto de seus compromissos no interior de São Paulo. No evento na capital, em tom irônico, o presidente do PSB, Carlos Siqueira, disse não ter “percebido” que o petista não apareceu. E foi além. Reclamou da falta de apoio do PT em parte dos Estados.
“Quando é possível ter um candidato unificado, ótimo, como é o caso de alguns Estados em que nós mesmos apoiamos o PT, como na Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Piauí. O PT nos apoia ainda em poucos, mas apoia em Estados importantes, como Pernambuco, Rio de Janeiro, Maranhão. Mas estamos esperando apoio em outros mais”, afirmou o presidente do PSB.
No sábado, Alckmin compareceu a um evento para debater o programa de governo de França. No encontro, fez críticas ao governo João Doria – pré-candidato tucano à Presidência –, sobretudo na questão tributária, e disse que França pode “contar” com ele na campanha.
Outro Estado em que as legendas ainda não se alinharam é o Rio de Janeiro. O PT fechou questão em apoiar Marcelo Freixo (PSB) ao governo. No entanto, o diretório estadual declarou apoio ao nome do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, André Ceciliano (PT) ao Senado.
No evento com Lula e Alckmin na sexta-feira, o deputado federal Alessandro Molon (PSB), que também postula a vaga, fez questão de marcar presença no Grand Mercure. Os dois partidos também precisam resolver pendências no Espírito Santo, Rio de Grande do Sul, na Paraíba e no Acre – Estados onde PT e PSB têm candidatos próprios ou apoiam candidatos rivais.

Por Estadão
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