PF: deputados do PL, partido de Bolsonaro, usavam grupo armado, extorsão e dinheiro vivo para desviar emendas

Por Brasil 247 

Deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL-MA) e a Polícia Federal 

A Polícia Federal disse ao Supremo Tribunal Federal (STF) ter encontrado indícios de que um grupo liderado pelo deputado federal Josimar de Maranhãozinho (PL-MA), com a participação dos deputados Bosco Costa (PL-SE) e Pastor Gil (PL-MA), teria utilizado um grupo armado, extorsões e saques em dinheiro vivo. O objetivo deles era desviar emendas parlamentares destinadas a prefeituras do Maranhão, informaram investigadores, de acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo.
A PF cumpriu na sexta-feira (11) mandados de busca e apreensão nos endereços dos deputados, que integram o partido de Jair Bolsonaro. A corporação apreendeu documentos e identificou emendas parlamentares no valor de cerca de R$ 5 milhões que teriam sido usados nos desvios.
As investigações apontaram que um agiota de nome Josival Cavalcanti da Silva, conhecido como Pacovan, emprestava dinheiro aos deputados e recebia os pagamentos por meio de saques em dinheiro vivo desviados de emendas parlamentares.
"O deputado federal Josimar Maranhãozinho é quem está à frente da estrutura criminosa, capitaneando não somente a destinação dos recursos públicos federais oriundos de emendas (próprias e de outros parlamentares comparsas) para os municípios, mas também orientando a cobrança (utilizando, inclusive, de estrutura operacional armada), ao exigir dos gestores municipais a devolução de parte dessas verbas", disse a PF.
O caso foi relatado à PF pelo então prefeito do município de São José de Ribamar (MA), Eudes Sampaio, que afirmou ter sido alvo de extorsões do grupo. O deputado Bosco Costa, apesar de ser de Sergipe, destinou uma emenda de R$ 4 milhões à prefeitura de São José de Ribamar. O objetivo era que R$ 1 milhão, o equivalente a 25%, retornasse em dinheiro vivo aos parlamentares.
De acordo com a PF, "essa atuação causa ainda mais estranheza se levarmos em consideração que o referido parlamentar foi eleito pelo estado de Sergipe, porém encaminha emendas de alto valor para o Maranhão (base da organização criminosa), indicado que este estado pode ter se tornado um paraíso para o desvio de emendas parlamentares".

Diálogos

A PF descreveu um áudio enviado pelo agiota Pacovan ao deputado Maranhãozinho, em 9 de junho de 2020. Nele, Pacovan reclamou que o "homi lá do Ribamar (prefeitura onde ocorriam os desvios)" só aceitava negociar diretamente com o parlamentar.
"Deixa eu te falar, ontem eu fui atrás do homi lá do Ribamar. Tentei falar com ele, ele disse que só senta se for contigo. Entende? Ele só paga se for pra você. Ele só resolve as com você. (...) Eu não posso perder, entendeu? Que é 6 milhão. Entendeu? Vai dar um milhão e meio. Que ele tem pra me pagar. E aí e eu perder esse dinheiro? (...) Me diz aí. Qual é a minha situação? (...) É seis milhão e pouco. Vai dar quase um 1,6 milhão de devolução", disse o áudio transcrito pelos investigadores.
O agiota demonstrou preocupação. "Se eu perder um dinheiro desses eu endoido. Eu fico louco. Eu não passo de jeito nenhum. Com quem eu fiz negócio eu assumi. Entendeu? Eu quero que você me ajude nisso aí. Pra você tomar a frente", disse.

Outro lado

Em nota, Maranhãozinho disse colaborar com as investigações "sem medo e sem restrição". "Por essa razão, não consigo entender a espetacularização do ocorrido, que parecer ter sido orquestrado para gerarem grande e rápida repercussão na imprensa regional e nacional. Por isso me pergunto se o objetivo é apenas denegrir minha imagem na tentativa de me tirar da disputa
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