Itabuna: Augusto, Andréa Castro e os cinco erros do prefeito

Por Ederivaldo Benedito - Blog do Bené

Cinco horas depois que o assunto ganhou, em forma de rumor, as redes sociais, Augusto Castro anunciou no início da noite de segunda-feira, dia 14, por meio de nota, que Andrea Castro não mais disputará uma vaga à Assembleia legislativa do estado pelo PSD. Na Nota de Esclarecimento, no entanto, o prefeito de Itabuna não deixa claro qual será o futuro da primeira-dama à frente da Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza, limitando-se a afirmar que ela “segue apoiando as ações sociais”.
Augusto justificou a retirada da pré-candidatura à “escolha da chapa majoritária da coalizão governista” que, no seu entender, “compromete a composição da chapa proporcional”. O prefeito ressaltou que o bom trabalho desenvolvido por Andrea à frente da Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza credenciou o seu nome a disputar uma vaga no Legislativo estadual. Ele só se esqueceu de dizer que lançou a secretária logo na primeira quinzena de janeiro, duas semanas após assumir a pasta.
Essa talvez teria sido a medida mais acertada e a decisão mais inteligente tomada por Augusto Castro desde o início da sua administração. Mas, sem dúvida, foi o segundo erro estratégico do prefeito. O primeiro foi indicar Andrea Castro para a Secretaria. Advogada atuante e empresária bem-sucedida, ela não se adaptou à rotina administrativa. Enfrentou algumas dificuldades no relacionamento com membros da sua equipe e de comunicação com os demais secretários municipais. O excesso de centralização de Augusto, não a deixando livre para tomar decisões – assim como todos os demais titulares – não a transformou numa nova liderança política
Desde a segunda-feira passada, dia 07, o Blog do Bené tinha informações seguras do desejo da secretaria de desistir da pré-candidatura. A pessoas próximas, Andrea Castro confidenciou a Assembleia Legislativa, assim com a pasta da Promoção Social e Combate à Pobreza, não era sua vocação. Seu desejo era retornar à prática advocatícia e à rotina empresarial. Optando por não divulgar especulações, o Blog do Bené esperou o anunciou oficial ser feito por ela ou pelo prefeito – o que ocorreu na tarde desta segunda-feira.
O terceiro erro estratégico de Augusto Castro ocorreu em dezembro do ano passado, quando exonerou a titular da pasta da Promoção Social, nomeou Júnior Brandão para o cargo. O quarto foi exonerá-lo dias depois. À época, o secretário de Governo estava cotado para substituí-la. Além disso, a forte discussão entre o prefeito e o vice Enderson Guinho por causa da mudança do chamado QG de apoio aos desabrigados para o Grapiúna, a falta de protagonismo durante a enchente e a não explicação clara do afastamento temporário da secretária contribuíram para arranhar a imagem de Andrea Castro dentro da Secretaria e fora do governo.
O quinto erro de Castro foi anunciar a retirada da candidatura, no momento em que enfrenta, além da queda na sua aprovação, os discursos ruidosos do vereador Manoel Porfírio. Guardadas as devidas proporções, o líder do governo na Câmara tem feito mais estrago na imagem da atual administração do que o colega Fabrício Pancadinha. Este, que iniciou o mandato aliado do prefeito, hoje é um dos seus maiores opositores – fruto também de um erro estratégico. Motivo: votou contra um projeto do Executivo que foi aprovado pela grande maioria dos membros do Legislativo.
Nas redes sociais e nas entrevistas às emissoras de Rádio, Augusto Castro mostra otimismo. As últimas pesquisas qualitativas realizadas em Itabuna não são muito favoráveis a ele. Os levantamentos recentes apontam que as críticas à sua gestão cresceram significativamente e a sua popularidade inicia uma tendência de queda. O prefeito tem – ou deveria ter – conhecimento que a sua avaliação pessoal e de seu Governo caíram muitos pontos percentuais.
Nas últimas semanas o prefeito de Itabuna vem recebendo duras críticas dos mais diversos políticos e representantes da sociedade. Adversários e aliados jogaram duro em entrevistas aos veículos de Comunicação. Nas redes sociais e nas ruas, os comentários partem dos variados setores da comunidade – de empresários a vereadores, passando por clientes da Emasa, usuários do transporte urbanos e novos desabrigados da Mangabinha. Uma das queixas é a que Augusto Castro estaria ausente do dia-a-dia da cidade.
Essas críticas são pontuais: promessas não cumpridas e acordos não firmados; o trato com a Imprensa, com as lideranças comunitárias e o empresariado. Nos bastidores, seis entre dez comerciantes locais fazem duras críticas ao chefe do Executivo por aumentar os tributos e ser moroso no apoio ao setor. Também, aumento dos tributos e obras anunciadas, mas não concluídas. Possíveis desvios nos contratos firmados pela Ficc-Fundação Itabunense de Cultura e Cidadania e alguns ações administrativas na Emasa – que segundo Manoel Porfírio, uma “caixa preta” – completam a lista.
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