Polícia Federal indicia falsa enfermeira por golpe da vacina de Covid-19 em MG

Foto: Reprodução/TV Globo

A Polícia Federal concluiu o inquérito e indiciou por quatro crimes a falsa enfermeira Cláudia Mônica Pinheiro Torres de Freitas, suspeita de aplicar o golpe da vacina contra Covid-19 em Belo Horizonte (MG).
Em setembro do ano passado, a corporação já havia concluído que se tratava de uma armação.
Em nota divulgada na terça-feira (15), a Polícia Federal afirma que as pessoas que “tomaram a ‘vacina’ teriam sido, de fato, vítimas de estelionato, pois, conforme apurado, a principal investigada, em momento nenhum teve acesso à vacina de Covid-19 de qualquer marca”.
A PF diz ainda que apenas duas vítimas formalizaram representação contra a falsa enfermeira e que “outras centenas preferiram não o fazer”.
A falsa enfermeira poderá responder por estelionato, ocultação de bens, associação criminosa e falsificação de documentos.
O indiciamento foi enviado pela Polícia Federal ao Ministério Público, que decidirá se apresentará ou não denúncia contra Cláudia Mônica à Justiça.
O esquema da vacinação do que a falsa enfermeira afirmava ser vacina contra Covid-19 foi descoberto depois da divulgação, nas redes sociais, de vídeo mostrando movimentação em garagem de ônibus no bairro Caiçara, região noroeste de Belo Horizonte.
Nas imagens, uma mulher de jaleco branco, apontada como sendo Cláudia Mônica, aparece fazendo movimentação semelhante à de aplicação de vacina em pessoas que estavam dentro de veículos. Os vizinhos desconfiaram da movimentação e chamaram a polícia.
Ao chegarem ao local, no entanto, os agentes não encontraram mais ninguém. Um boletim de ocorrência foi feito.
A falsa enfermeira chegou a ser presa em 30 de março, mas foi solta por habeas corpus em 3 de abril. As investigações mostraram que familiares de Cláudia Mônica também participavam do esquema.
A mulher, ainda conforme as apurações da corporação, cobrava até R$ 600 por duas doses do que afirmava ser vacina contra Covid-19.
A PF descobriu ainda que Cláudia Mônica realizava a suposta vacinação contra Covid-19 também em condomínios de luxo da capital e região metropolitana.
À época, a vacinação contra a doença já havia sido iniciada no país, mas o público atingido era pequeno.

Segundo a PF, o que a falsa enfermeira aplicava na verdade era soro fisiológico.

O produto foi encontrado em busca e apreensão feita pela corporação. A mulher não tinha registro no Conselho Federal de Enfermagem, conforme as apurações.
Familiares da falsa enfermeira também foram ouvidos pela Polícia Federal por suspeita de participação no golpe, mas a reportagem não conseguiu informações sobre seus possíveis indiciamentos e por quais crimes.
O advogado da falsa enfermeira, Bruno Agostini, afirmou que não vai se posicionar no momento sobre a decisão da PF e divulgou a seguinte nota:
“O indiciamento da Polícia Federal ocorreu no dia 17 de dezembro de 2021. O inquérito atualmente encontra-se com o Ministério Público do Estado de Minas Gerais. A defesa manifestará nos autos dentro do prazo legal”.
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