Na enchente de 1978, poeta criticou ibicaraienses por festa depois da tragédia

Puxa-sacos de políticos atacaram o prefeito e o poeta

A grande enchente do final de abril de 1978 foi cantada em versos por Minervino Francisco Silva - Mas o povo do centro da cidade queria festa.
Na época, o então prefeito Adbidas Pedro dos Santos, o Didi, foi criticado pela população porque queria adiar a festa da Micareta devido aos estragos causados pela enchente. Eram dezenas de desabrigados na Salomeia e no Luxo, todos pobres, e ainda havia ocorrido a morte de uma idosa.
(eu morava na rua Paraíso e minha casa ficou alagada: minha família correu para casa de amigos na Avenida São Vicente de Paula e de lá ficamos assistindo à agua destruir tudo - meses depois, mudamos para o Andrezão.
Foram 36 casas totalmente destruídas, com mais de mil desabrigados que foram socorridos em escolas. O engraçado é que as casas de tijolo não aguentaram e as de taipa ficaram em pé - a minha era de taipa e sobreviveu.
Mas os moradores do centro da cidade não se apiedaram e queriam a realização da festa.
O prefeito foi para Salvador, pedir ajuda ao governador, e anunciou a suspensão da Micareta.
Mas o povo do centro não quis saber. Queriam fazer uma passeata e protestar com um caixão pelas ruas, pregando o enterro simbólico do prefeito e do secretário Oseas Peixoto.
Didi teve de se explicar na Rádio Difusora, no programa do saudoso Lucílio Bastos e voltou atrás, anunciando que ia sim ter a festa. E teve a festa no dia 20 de maio de 1978.
Baseando-se na polêmica da enchente e da festa, Minervino escreveu um de seus maravilhosos livrinhos de cordel.

Texto: extraído do Grupo Ibicaraí
Jornalista José Nilton Calazans

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