Lira está boicotando exibição de ‘Marighella’ na Câmara, diz deputado

O deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) acusa o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), de boicotar a exibição do filme “Marighella” na Casa. Um requerimento do parlamentar foi aprovado pela Comissão de Legislação Participativa há cerca de dez dias -mas, desde então, está parado aguardando que a Mesa Diretora da Câmara autorize o uso do Auditório Nereu Ramos.
Nesse meio tempo, o espaço já foi cedido para a realização de um culto evangélico de encerramento das atividades da Frente Parlamentar Evangélica, a pedido do deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), e para um encontro com representantes da Confederação Nacional de Municípios, agendado para o dia 15 deste mês após solicitação do deputado Benes Leocádio (Republicanos-RN).
Embora a cessão do auditório Nereu Ramos possa ser manejada por servidores da Câmara, os pedidos passam pela mesa de Lira e levam sua assinatura no documento de aprovação. O deputado do PSOL pretendia usar o auditório para a exibição de “Marighella” na próxima quarta-feira (8), data em que foi marcado o culto religioso. “Se ele não tiver recuado, vou estudar junto à Comissão [de Legislação Participativa] as medidas que podem ser adotadas. Ele [Lira] está impedindo o exercício da atividade parlamentar”, afirma Glauber Braga.
A ideia é que a sessão do filme dirigido por Wagner Moura seja aberta a congressistas, representantes de movimentos sociais e a pessoas que participaram da produção do longa. Com direção de Moura e filmada em 2017, a obra é inspirada na biografia “Marighella – O Guerrilheiro que Incendiou o Mundo”, do jornalista Mário Magalhães, e conta a história do guerrilheiro comunista Carlos Marighella, morto pela ditadura militar.
O filme estreou no Festival de Berlim em fevereiro de 2019. No mesmo ano, ao menos dois pedidos de recurso para a comercialização do filme foram negados pela Ancine. Após uma série de adiamentos por causa de tecnicalidades envolvendo a Ancine (Agência Nacional do Cinema) nos últimos meses, supostamente por causa do forte teor político da trama, e também pela pandemia da Covid-19, o filme chegou neste mês aos cinemas brasileiros.
No mês passado, a Câmara aprovou uma moção de aplausos a Wagner Moura. A honraria, proposta pela deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), reconheceu sua defesa da cultura e contribuição para o setor. “É fundamental que a nossa comissão se posicione reverenciando não só o diretor, [mas] os demais atores do filme pelo excelente papel que desenvolvem e pelo direito do povo brasileiro de conhecer a sua própria história de luta”, disse Bomfim na ocasião.

Mônica Bergamo / Folhapress

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