Eleição de Luiz Viana para presidente da OAB pode não vingar em 2022

Por Cláudia Cardozo

Santa Cruz, Luiz Viana e Lamachia, em 2019 | Foto: Reprodução/ Instagram

Ao que tudo indica, a Bahia ainda não terá seu primeiro presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) nos próximos três anos. Na última década, houve uma grande expectativa em torno do nome do advogado Luiz Viana para sentar na cadeira mais alta da instituição. Chamado de "Porto e Farol" da advocacia baiana, Viana presidiu a OAB da Bahia por dois mandatos, entre 2012 e 2018. De 2019 até agora, é vice-presidente da OAB nacional.
Ao final de 2018, era forte a tendência de que Viana pudesse ser alçado ainda em 2019 à presidência da OAB. Mas um acordo de chapa única o fez ser vice-presidente naquela ocasião, sob a promessa de que o atual presidente, Felipe Santa Cruz, o apoiaria para se tornar o chefe da OAB nas eleições seguintes.
Felipe Santa Cruz chegou ao posto com a benção do ex-presidente da entidade, Marcus Vinicius Furtado Côelho, e do grupo chamado de "partido" na Ordem. Bastidores sinalizam que é esse partido que governa a OAB. O casamento de Viana com Santa Cruz começou a desandar, porém, quando o vice enxergou que houve um "abandono" das pautas de interesse da advocacia, para priorizar mais políticas partidárias mirando nas eleições gerais para 2022. Com o rompimento de Viana em maio de 2020, Beto Simonetti recebeu apoio do "partido" para se tornar o novo presidente da OAB Nacional.
Para viabilizar o nome de Simonetti, o grupo se articulou com as seccionais da Ordem. Com apoio oficial de 23 estados, Simonetti garante larga vantagem sobre Luiz Viana, que não está morto politicamente, mas tem poucas chances de viabilizar sua eleição. O grupo apoiado por Santa Cruz poderá garantir os votos para Simonetti levar fácil a eleição, através de seus conselheiros federais.
Atualmente, Viana tem o apoio da própria Bahia, do Mato Grosso do Sul, do Rio Grande do Sul e do Paraná. A oposição ao grupo de Santa Cruz ganhou as eleições em São Paulo, Acre, Alagoas e Sergipe, o que pode garantir um eventual apoio ao "baiano". Para viabilizar a candidatura, o atual vice-presidente da OAB precisa conquistar o apoio de seis seccionais. Até o momento, há uma indefinição sobre quem os estados de São Paulo e Minas Gerais apoiarão.
Do outro lado, Viana é visto como "traidor" por ter rachado com Santa Cruz e ter se "vendido como anti-esquerda". Após rachar com o grupo, ele lançou o movimento #AOABédaAdvocacia ou "OAB sem Partido", se alinhado a representantes a ala lavajatista da Ordem e a representantes bolsonaristas.
Com o fim das eleições nos estados, o foco é articular os apoios para as eleições da Ordem, que acontecerão no dia 31 de janeiro. Ainda há chances de ampliar o número de votos para o candidato baiano, mas as possibilidades são mais remotas. Votarão os 81 conselheiros federais que tomarão posse no dia 1º de janeiro. Pela Bahia, foram eleitos conselheiros federais Luiz Viana, Fabrício Castro (atual presidente da OAB-BA) e Luiz Coutinho.

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