Cachimbo da geração Z: Saiba por que o cigarro eletrônico é tão perigoso

Foto: Grav / Unsplash

Fazer fumaça com um aparelho que se assemelha a um pen drive ainda pode causar estranheza, mas já não é uma novidade. A quantidade de fumaça que vem sendo compartilhada por famosos e anônimos nas redes aumentou e, se antes o cigarro tradicional se escondia, os cigarros eletrônicos são protagonistas nos ambientes sociais.
Os dispositivos eletrônicos para fumar (DEF) são constituídos, em sua maioria, por um equipamento com bateria recarregável e refis para utilização.
A comercialização, importação e propaganda de todos os DEFs são proibidas no Brasil desde 2009, por meio da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 46 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).
Foto: Reprodução/Anvisa

Ainda assim, a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019 apontou que 0,6% da população utilizava dispositivos eletrônicos para fumar no Brasil naquele ano.
Para o diretor da Associação Bahiana de Medicina (ABM), o pneumologista Guilhardo Fontes Ribeiro, é importante ressaltar que o uso do cigarro eletrônico traz consequências não só para quem utiliza, mas para quem está por perto daqueles que fumam.
“Os cigarros eletrônicos, embora sejam aparentemente menos agressivos, também estão relacionados a doenças por razões variadas e até pelos metais pesados que são eliminados durante a aspiração”, explica o médico.
Recentemente, o cantor Zé Neto, da dupla com Cristiano, revelou estar passando por um tratamento pulmonar que pode ter sido causado pelo uso de cigarro eletrônico. O artista cancelou a agenda até janeiro de 2022, enquanto trata da doença. (veja aqui)
Guilhardo explica que o uso dos DEFs podem causar uma doença pulmonar de nome ‘Evali’, uma injúria pulmonar aguda.
“É como se fosse uma queimadura do pulmão, é uma resposta inflamatória aguda com consequências porque libera substâncias tóxicas e metais pesados na combustão. Não só as pessoas mais alérgicas ou que tenham doenças crônicas, mas também os mais jovens estão propensos a ter. O diagnóstico e tratamento precoce é o segredo do sucesso de qualquer abordagem”, explica.
Por ser menos fiscalizado do ponto de vista social, algumas pessoas deixam de ser dependentes do cigarro tradicional e passam a ser dependentes do cigarro eletrônico. O pneumologista alerta que mesmo sendo menos prejudicial, o cigarro eletrônico ainda é agressivo.
“Eu não aconselho ninguém a passar de um cigarro para outro. O pessoal mais jovem está criando dependência do cigarro eletrônico e usando como charme sem imaginar que ele também pode trazer graves problemas à saúde. As mesmas doenças que são ocasionadas pelo cigarro tradicional, o eletrônico pode trazer, como tumor de boca, de língua, de faringe e laringe”, diz.
Guilhardo ainda ressalta que o tabaco, em qualquer via de administração, é altamente desaconselhável e prejudicial.
“Seja o cigarro tradicional, cigarro eletrônico, narguilé ou tabaco mastigado, deve ser desestimulado de todas as formas. O importante é não começar porque cria dependência e é muito difícil conseguir fazer o tratamento. Então a prevenção é ainda o melhor remédio”, aconselha.
Em agosto deste ano, a Anvisa informou que a Gerência-Geral de Registro e Fiscalização de Produtos Fumígenos, derivados ou não do Tabaco (GGTAB) estava na fase final de elaboração do relatório de Análise de Impacto Regulatório (AIR) do processo de discussão dos DEFs.
“Atualmente, o relatório preliminar de AIR, elaborado pela GGTAB, encontra-se em fase de avaliação de coerência e conformidade pela Gerência-Geral de Regulamentação e Boas Práticas Regulatórias (GGREG), etapa prevista no inciso II do artigo 29 da Orientação de Serviço (OS) 96/2021”, informou a Agência.

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