Cartazes de atos bolsonaristas atacam STF até em inglês, espanhol e francês

Se nos atos bolsonaristas de 1º de agosto o foco maior de manifestantes era o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a pauta do voto impresso, o alvo principal de 7 de setembro foi o STF (Supremo Tribunal Federal).
Cartazes com pautas antidemocráticas, como a defesa de uma intervenção militar e a destituição de ministros do STF, foram empunhados por apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em diferentes cidades do país, em especial na avenida Paulista, em São Paulo, e na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.
Chamou atenção a presença de diversos cartazes em outros idiomas, a maioria em inglês, mas também em espanhol e francês. Um manifestante em Brasília trazia um cartaz em inglês e espanhol dizendo que “os ministros da Suprema Corte ameaçam a democracia do Brasil”.
Na visão dos apoiadores de Bolsonaro, há no Brasil uma ditadura em curso por parte do STF.
O alvo principal dos cartazes foi o ministro Alexandre de Moraes. Ele era classificado em vários textos como “ditador de toga”. Durante o discurso de Bolsonaro, apoiadores gritaram “Fora Alexandre” após falas do presidente atacando o ministro.
Segundo manifestantes na avenida Paulista ouvidos pela reportagem, o motivo das mensagens em inglês é para que o mundo inteiro saiba da verdade e não a “mentiraiada” que está sendo contada de que Bolsonaro estaria dando um golpe.
Eles traziam cartazes com os seguintes dizeres, em inglês: “Bolsonaro enviado por Deus”, “Fim da corrupção e comunismo” e “Deus, pátria e família”.
Além das mensagens, havia também quem usasse máscaras de papel com rostos de ministros e com os dizeres “Supremo Talibã Federal” na testa. Também na Paulista, uma manifestante pedia “voto impresso e auditável” e a “extinção do TSE”.
Em Brasília, um grupo também trazia os dizeres: “Não é impeachment! Exigimos imediata destituição de todos os ministros do STF”. Em outra faixa, a sigla “STF” era completada com os adjetivos “sórdido”, “trapalhão” e “falso”.
“The limit has been crossed!!! Our indignation is huge!!! Jail for corrupts and communists!!!”, afirmava uma faixa apoiada em um automóvel em área próxima ao Congresso Nacional, pedindo, em inglês, cadeia para corruptos e comunistas.
“Fora com os tiranos do STF. Art. 142, eu autorizo!”, registrava outro um cartaz levantado por apoiador próximo do trio elétrico em que Bolsonaro discursou na capital federal.
Bolsonaristas defendem que o artigo 142 da Constituição, que disciplina o papel dos militares no país, “autorizaria” as Forças Armadas a atuarem como “poder moderador” dos demais —Executivo, Legislativo e Judiciário.
Tal interpretação, entretanto, é rechaçada pela classe jurídica, e uma ação nesse sentido seria um golpe militar. No ano passado, o presidente do STF, Luiz Fux, delimitou, em decisão judicial, a interpretação da lei para esclarecer que ela não permite intervenção das Forças Armadas nos demais Poderes, nem dá aos militares a atribuição de poder moderador.


No Rio de Janeiro, algumas faixas pediam intervenção federal. Uma delas defendia a medida para “acabar com o puteiro em Brasília”. “O resto da limpeza é com o voto impresso”, diziam os escritos.
Havia cartazes também defendendo a criminalização do comunismo e a adoção de uma nova Constituição.
“Presidente, coloque todos esses vagabundos na cadeia. Começando pelo STF!!!”, afirmava uma, ainda no Rio. “Os brasileiros exigem a saída dos juízes da Suprema Corte”, dizia outra, com tradução para o inglês.
Na avenida Paulista, um cartaz em inglês pedia uma limpeza nas instituições, citando especificamente o STF, o TSE e o Congresso.
Mensagens na mesma linha apareceram em Curitiba (“Intervenção federal do STF e no Congresso!”) e também no interior de Santa Catarina. Um trator que bloqueava a rodovia federal na cidade de Garuva (SC) levava a frase “Destituição dos ministros do STF”.
Em Salvador, um dos trios elétricos que comandaram o protesto trazia uma faixa bilíngue com a mensagem “Bolsonaro e Forças Armadas salvem a democracia”, em português e inglês. Uma segunda mensagem dizia “Fim da Ditadura do STF. Artigo 142 está na Constituição”.
No meio da multidão, um dos manifestantes carregava um cartaz pregando “intervenção federal com a manutenção de Bolsonaro na Presidência”. Outra pedia intervenção militar: “Bolsonaro e Forças Armadas, nos libertem do comunismo”.
No Recife, manifestantes que caminharam em passeata na orla da praia de Boa Viagem entoaram gritos de “eu autorizo”. Em Fortaleza, um carro de som tocava jingles de Bolsonaro em ritmo de forró com a faixa: “Liberdade não se ganha, se toma”
Também o cantor Sérgio Reis foi um dos ídolos dos manifestantes. Em São Paulo, havia fotos do cantor acompanhadas da frase “Todos somos um”. Já em Copacabana, no Rio, havia máscaras do presidente do PTB, Roberto Jefferson.
Por determinação Moraes, Reis foi alvo de busca e apreensão, e Jefferson está preso no âmbito de inquérito que investiga a organização de atos antidemocráticos.
Em menor número, também a questão sanitária foi alvo de manifestantes. Em Brasília, alguns cartazes reclamavam da adoção de “passaportes” da vacina. “Passaporte sanitário? Não!!! Não é sobre saúde, é sobre controle!”, afirmava o papel de um manifestante.
No Rio, uma manifestante, trazia cartaz em inglês dizendo: “Nós temos que ser livres para escolher a tomar ou não a vacina”.

Renata Galf/Folhapress

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