Bolsonaro desafia Supremo e diz que não cumprirá decisões de Alexandre de Moraes

Crédito: Marcos Corrêa / PR

Em discurso rápido na Avenida Paulista na tarde de terça, 7 de Setembro, o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar o Poder Judiciário, como já havia feito pela manhã, e a criticar prefeitos e governadores pela condução durante a pandemia de covid-19. Aos milhares de apoiadores que lotaram a via, no entanto, o recado foi eleitoral. “Quero dizer aqueles que querem me tornar inelegível em Brasília que só Deus me tira de lá”, disse. E completou na sequência: “Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso.”
Ao lado de ministros, Bolsonaro subiu em um carro de som pouco antes das 16h. Começou o discurso citando Deus, agradecendo pela sua vida e pelo apoio de “quase 60 milhões de brasileiros” que o elegeram. Sem citar qualquer um dos problemas que assolam a população – como desemprego, inflação e demora no processo de vacinação -, o presidente mais uma vez defendeu o voto auditável como condição para a eleição de 2022 ao dizer que não “vai aceitar” o resultado de um pleito “sem voto impresso e contagem pública de votos”.
Em seguida, fez o primeiro ataque à Justiça. Sem mencionar nominalmente o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, afirmou que “não participará de uma farsa patrocinada pelo presidente do TSE”. O tom, no entanto, subiu quando o citado passou a ser o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro deu a entender que quer a saída de Moraes da Corte a todo custo. “Ou esse ministro se enquadra ou pede para sair”, disse Bolsonaro.
Depois, disse que a partir de agora desobedecerá ordens de Moraes. “Quero dizer que qualquer decisão do ministro Alexandre de Moraes este presidente não cumprirá”, declarou. No mesmo momento, um carro de som passou a pedir “intervenção” ao microfone com o apoio dos manifestantes.
Ao destacar a importância da manifestação de apoio a seu governo – e não necessariamente à data que celebra a Independência do Brasil – , o presidente disse que seus apoiadores obtiveram sucesso na organização de uma “foto para o mundo”. Segundo avaliação de Bolsonaro, os atos desta terça são sinal de que “daqui para frente vai ser diferente”, frase que arrancou gritos e aplausos de uma plateia vestida de camisetas verde e amarela.

Já no fim de seu discurso, Bolsonaro voltou a falar de reeleição e disse que só deixa o cargo se for a vontade de Deus. Aos apoiadores, afirmou: “Nesse momento, eu quero mais uma vez agradecer a todos vocês. Agradecer a Deus, pela minha vida e pela missão, e dizer aqueles que querem me tornar inelegível em Brasília que só Deus me tira de lá.” Em seguida, o presidente afirma que há três opções para o seu futuro político. Disse que pode ser preso, morto ou sair com a vitória”. E completou na sequência: “Quero dizer aos canalhas que eu nunca serei preso”.

Estadão Conteúdo

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