Entregador por aplicativo é vítima de racismo dentro de estabelecimento na Bahia: ‘Me chamou de macaco’


Um motociclista que trabalha como entregador por aplicativo relata ter sido chamado de “macaco” por um homem, enquanto esperava por uma encomenda. O caso aconteceu na fila de um estabelecimento alimentício, em Salvador, no último domingo (1º).
O caso aconteceu em uma unidade da Perini, no bairro da Pituba. De acordo com o entregador Anderson Santos, um homem, que estava na fila, se incomodou com a presença dele no estabelecimento.
“Um rapaz de classe média alta, no caso, ele chegou, me chamou de macaco, na fila do caixa”, detalha Anderson. As informações e imagem são do G1-BA.
Anderson estava no local para retirar um pedido recebido por ele no aplicativo em que trabalha. Na fila do estabelecimento, o entregador relatou que o homem, que não teve a identidade divulgada, ficou agressivo e começou a ofendê-lo.
“Ele ficou agressivo, pedindo para me afastar dele. Eu falei: 'senhor, eu estou no local permitido. Ele [disse] 'ah, desencoste de mim'. Aí eu falei: "se o senhor tiver incomodado, o senhor se afaste. Aí ele começou a discutir, muito alterado, e aí ele pegou e falou para mim: ‘é, só podia ser um macaco mesmo”, disse Anderson.
Após as ofensas, Anderson começou a gravar a situação. Nas imagens é possível ver o momento em que alguns clientes seguram o homem, que confessa ter feito a ofensa contra o entregador. Além da agressão verbal, Anderson relata também ter sido vítima de agressão física.
“Ele ainda tentou me agredir. Me empurrou na parede, me deu um murro no peito”, conta Anderson. "Que ele não fique impune. Esses racistas, que acham que não vai ter nada, que vai praticar o racismo com as pessoas, discriminação, acham que são melhores que as outras pessoas. Um dia eles vão pagar”, disse Anderson.
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o suspeito foi levado para a delegacia por policiais militares e preso em flagrante por cometer ato de injúria racial. Não há detalhes se o suspeito permanece preso.
Já o estabelecimento disse que que não compactua com qualquer tipo de agressão, desrespeito ou manifestação de racismo nas dependências da loja, e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
O advogado da vítima, José Brasil, informou que foi feito Boletim de Ocorrência e que vai entrar com ação de danos morais, por causa das agressões. “Foi feito um Boletim de Ocorrência, e em seguida, será remetida à Justiça para que seja tramitado o processo criminal. Em paralelo, será impetrada a ação de danos morais contra o autor do fato”, explica o advogado.
O caso aconteceu na véspera de Anderson completar 31 anos, na segunda-feira (2). Ele trabalha há três meses como entregador por aplicativo, mas também atua como feirante, pescador e vendedor de lanches.
"Eu perdi meu dia de trabalho, o dia que eu ia receber, que eu iria comprar alguma coisa pra fazer uma ‘brincadeirinha’ com minha família”, lamenta Anderson.

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