Dilma: "Temos de perceber o poder das ruas nesse país"

A ex-presidenta Dilma Rousseff concedeu entrevista ao programa Elas por Elas na segunda-feira (16)

A ex-presidenta Dilma Rousseff está torcendo para o enfraquecimento da variante delta do novo coronavírus. Mas não é somente por razões de saúde, claro. “Temos agora uma perspectiva, e a primeira delas passa pelas ruas. Quando a ameaça da delta diminuir, temos de voltar às ruas. Temos de perceber o poder das ruas nesse país”, disse Dilma, durante participação na estreia do programa Elas por Elas, no canal do PT no Youtube, na última segunda-feira (16).
Dilma estava se referindo às ruas enquanto espaço de poder de mobilização contra o governo de Jair Bolsonaro e de apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já percorre diversos pontos do país se mostrando enquanto alternativa já reconhecida pelas pesquisas eleitorais.
E também enquanto espaço de consolidação da democracia, a qual se abre para a participação na política de cidadãos, independente do sexo e do gênero – o que segundo ela é “uma pele que nos recobre”.

Misoginia

“Quando eu estava no governo, eu era delineada como alguém sem experiência anterior. A misoginia era tanta que diziam que eu não tinha tido experiência política antes, no Legislativo, e que como presidenta não conseguia me comunicar com o Congresso. (Emmanuel) Macron, (presidente da França), e João Doria (então prefeito de São Paulo pelo PSDB), sem experiência como eu, eram ‘os novos’. E eu tinha dificuldade de fazer política”, disse.
Candidata a vice-presidente na chapa de Guilherme Boulos (Psol) em 2018, a coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara (Psol) dividiu a mesa de debate com Dilma e a candidata a vice-presidente na chapa de Fernando Haddad (PT) em 2018, Manuela D’Ávila (PCdoB).
“O primeiro ataque de Bolsonaro foi contra uma mulher, a Mãe Terra. Disse que nenhum centímetro de terra indígena seria demarcada”, disse Guajajara. Mesmo assim, segundo ela, vem crescendo a participação de mulheres indígenas.
Em 2018, segundo ela, das 113 candidaturas indígenas, menos de 40 eram mulheres, entre elas, a deputada federal Joênia Wapichana (Rede-RR), que está “fazendo uma grande diferença”. Em 2020, foram eleitas 44 para os cargos de prefeitas, vice e vereadoras. “É muito significativo. Queremos aumentar o número de candidatos e de cadeiras nas assembleias”, disse Sonia.
Para a liderança indígena, é preciso maior representatividade indígena também pelo bem do planeta, já que são os melhores guardiões da terra.

Força

Governadora do Rio de Janeiro de abril de 2002 a janeiro de 2003, a deputada federal Benedita da Silva (PT) lembrou que a força está com as mulheres. “Programas de transferência de renda e de habitação popular (nos governos do PT) eram controlados pelas mulheres”, mas lamentou que embora sejam a maioria no população brasileira, não estão na política de maneira proporcional.
Sob o comando da apresentadora Mariana Jacob, o programa Elas por Elas vai ao ar de segunda a sexta-feira, às 16h. E aos sábados, às 11h no canal da TVPT e na Rádio PT.

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