Moraes autoriza compartilhamento de provas que podem levar à cassação de Bolsonaro

Havia pedidos há mais de um ano esperando por análise. No TSE, a avaliação era de que Moraes estava postergando as análises para caso Bolsonaro agisse de forma ofensiva contra as instituições

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento de provas dos inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticos com as ações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A medida pode causar, em uma situação extrema, a cassação do presidente Jair Bolsonaro e do vice, Hamilton Mourão. A informação é da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
Com o compartilhamento, novos elementos entram na investigação sobre a participação do presidente em uma rede de disparo em massa de notícias falsas na eleição de 2018. A decisão tomada por Moraes ocorre em um momento de aumento da tensão entre STF e Bolsonaro devido a ataques feitos pelo chefe do Executivo a integrantes da corte. Havia um pedido deste tipo em análise há mais de um ano.
No TSE, a avaliação era de que Moraes não tinha pressa em dar uma resposta justamente para ter em mãos uma arma com potencial para conter uma eventual ofensiva de Bolsonaro contra as instituições. O relator das ações no TSE é o corregedor-geral, o ministro Luis Felipe Salomão.

Alexandre de Moraes já havia aberto novo inquérito sobre suposta organização criminosa que atua contra instituições. O ministro também juntou a apuração dos atos antidemocráticos (já arquivada) com a das fake news. Com isso, a Polícia Federal fica no encalço da família de Bolsonaro e de seus apoiadores em duas frentes, que devem avançar em 2022, ano eleitoral.
Na prática, a união dos casos resulta em um superinquérito cujos alvos são todos próximos ao presidente. Dessa forma, Bolsonaro fica rodeado por todos os lados em meio às suas falas golpistas.

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