Alckmin amplia reuniões pensando em 2022

A fim de concorrer ao Governo de São Paulo, Geraldo Alckmin procura outro partido

Foto: Agência Brasil

Carolina Linhares - FolhaPress

Decidido a concorrer ao Governo de São Paulo em 2022, o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) busca não apenas um novo partido, mas uma coligação –e para isso ampliou as reuniões políticas nas últimas semanas. Aliados preveem que este mês de julho marcará a saída do tucano do partido que ele ajudou a fundar em 1988.
Alckmin diz que não tem decisão tomada. Entre quem acompanha sua agenda política, a percepção é a de que o ex-governador não vê espaço no partido após o governador João Doria (PSDB) lançar candidatura do seu vice, Rodrigo Garcia (PSDB), a sua sucessão.
O ex-governador aparece com destaque em pesquisas de intenção de voto e é disputado por diversos partidos, inclusive o PSDB. Garcia, por sua vez, ocupa as últimas posições nas sondagens eleitorais.
Considerado um ativo em várias siglas, o que pesa na escolha de Alckmin é o cenário nacional e, por isso, o anúncio de uma nova filiação seria feito apenas mais para frente. O ex-governador gostaria de evitar legendas que apoiem Jair Bolsonaro (sem partido) ou Lula (PT) no primeiro turno.
Para evitar o divórcio com o PSDB, algo que Alckmin considera traumático, parte dos tucanos trabalha para convencê-lo a ficar e disputar prévias contra Garcia. Na visão desses aliados, o recall do ex-governador é suficiente para fazer frente ao peso do Palácio dos Bandeirantes a favor do vice-governador paulista.
“Alckmin é muito querido, tem todas as chances de ganhar num processo limpo e democrático, com o voto de todos os filiados”, diz o vice-presidente do PSDB de São Paulo, Evandro Losacco, para quem a tendência é de o ex-governador se mantenha no ninho tucano.
Outros tucanos discordam e veem a máquina partidária e de governo muito entranhadas para que o ex-governador tenha maioria –a começar pelo presidente do PSDB paulista, Marco Vinholi, que é secretário de Desenvolvimento Regional do governo Doria e totalmente alinhado ao governador.
Vinholi diz que o diálogo pode levar a uma construção conjunta, mas não descarta a realização de prévias.
No entorno de Doria, a avaliação é a de que Alckmin não deixará o PSDB. No fundo, há a expectativa de que o ex-governador aceite concorrer ao Senado ou à Câmara –ou até se aposente de vez. Além de não estar disposto a isso, Alckmin se sente traído por Doria, o que dificulta uma composição com o governador.
Padrinho político de Doria, Alckmin teve que debelar pretensões presidenciais do hoje governador antes de 2018, quando o então prefeito da capital paulista passou a mirar o posto de presidenciável que seria do ex-governador. Na campanha, houve novo desentendimento, já que Doria passou a apoiar Bolsonaro. E, mais recentemente, trocou Alckmin por Garcia em 2022.
Enquanto a saída do PSDB se desenha como inevitável, outra equação é mais complicada, a de qual partido deve abrigar Alckmin. A tendência é a de que ele leve mais tempo até tomar essa decisão.
Alckmin tem uma série de convites, e os considerados mais viáveis são de PSD e DEM. Gilberto Kassab, presidente do PSD, diz que as portas estão abertas, que o ex-governador é experiente e que seu partido terá candidato próprio. O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM) fala em admiração por ele.
Há ainda um possível acordo com Márcio França (PSB), ex-vice-governador de Alckmin, para que voltem a formar chapa juntos em 2022. França tem acompanhado as costuras de Alckmin.
Hoje, DEM e PSD integram o bloco de partidos que querem uma candidatura própria ao mesmo tempo em que buscam se acertar com outras siglas da chamada terceira via para conseguir uma candidatura viável nesse campo. Mas o flerte do DEM com o bolsonarismo e do PSD com Lula –assim como o PSB– não pode deixar de ser considerado.
Veteranos próximos a Alckmin enxergam nele o retorno à normalidade e o triunfo da terceira via, ao menos em São Paulo, estado que funcionaria como trincheira de resistência seja Bolsonaro ou Lula o vencedor da corrida nacional.
Interlocutores do governador veem Alckmin caindo em uma espécie de armadilha caso seu novo partido faça de sua candidatura em São Paulo um palanque para o petismo ou para o bolsonarismo.
No PSB, que pode terminar abraçado a Lula, já há um discurso para não afastar Alckmin, o de que o nome do ex-governador, conhecido em todo o país, não está sujeito à polarização petista e bolsonarista e que não há obrigatoriamente uma ligação entre palanques estaduais e nacionais.
A polarização, em São Paulo, seria entre Doria e os anti-Doria, grupo representado por França no último pleito, mas que hoje se ampliou e abriga bolsonaristas, a esquerda e aqueles que se sentem traídos pelo governador, como Alckmin.
Governador de São Paulo por quatro mandatos, Alckmin tem se dedicado à medicina depois de terminar a eleição presidencial de 2018 com apenas 4,76% dos votos válidos –a pior marca de um tucano na história.
A agenda política corre no paralelo. Em conversas em padarias com políticos, em visitas ao interior e em reuniões com sindicalistas, Alckmin busca costurar apoio a uma coligação que, além dos partidos já mencionados, pode envolver também o Podemos e já ganhou a adesão do PV, como mostrou a coluna Painel.
Recentemente Alckmin esteve com prefeito do PL –Clovis Volpi, de Ribeirão Pires– e do Podemos –Aprígio, de Taboão da Serra.
Aliados apontam que ele funciona como puxador de votos para eleição de deputados federais, algo crucial para a sobrevivência dos partidos, além de ser conhecido, o que não o torna dependente de tempo de TV na campanha.”
Já Garcia tem acertos com o MDB e com o DEM, seu ex-partido, cuja ala paulista se mantém fiel a ele. Por isso, caso Alckmin opte pelo DEM, o diretório nacional do partido teria que fazer uma intervenção no diretório estadual, o que ampliaria o racha na sigla e provocar judicialização.

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