‘Estão procurando chifre no cavalo’, diz dono da CNN após defender ‘tratamento antecipado’

O empresário Rubens Menin, dono da CNN Brasil e da MRV Engenharia

O presidente do conselho e acionista majoritário da CNN Brasil, Rubens Menin, diz que “estão procurando chifre em cabeça de cavalo” ao criticarem a postagem que ele fez no Twitter afirmando que “quanto mais cedo” se começa um “tratamento” contra a Covid-19, “melhores serão os resultados”.
A declaração foi imediatamente entendida como apoio do empresário a declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que defende tratamento com remédios sem eficácia para a Covid-19, como a cloroquina e a hidroxicloroquina.
O ministro das Comunicações, Fábio Faria, diz que o comentário de Menin foi “perfeito”. E afirmou que “qualquer coisa que o Bolsonaro for a favor será alvo. O absurdo era mandar ficar em casa até sentir falta de ar como orientava o ex-ministro Mandetta. Isso sim, matou muita gente. Qualquer doença tem que ser tratada logo no início”.
Na sexta (18), a CNN também voltou ao noticiário por manter em seus quadros o jornalista Alexandre Garcia, que defende o governo Bolsonaro e é acusado de disseminar fake news sobre a Covid-19.
Documentos entregues à CPI da Covid mostrariam que o ex-apresentador está no topo de uma lista que lucra com notícias falsas sobre a doença.
Rubens Menin afirma que está sendo mal interpretado e que seu comentário não tem nada a ver com política. “Já falaram até que eu vou ser vice do Bolsonaro. Não quero saber de nada disso”, diz.
“Eu não defendi tratamento precoce para a doença. Ela não tem cura. Eu defendi o tratamento antecipado”, diz o dono da CNN.
E qual seria a diferença entre os dois termos? Menin responde: “A Aids não tem cura. Mas tem tratamento antecipado. Você pode prolongar a vida de quem tem Aids. A Covid não tem cura. O que funciona é a vacina. Mas existem tratamentos que minimizam o risco da doença. Que dão tempo ao corpo humano para que ele possa se curar”.
Ele afirma que tanto isso é verdade que “no [Hospital Israelita Albert] Einstein morre menos gente do que no interior do Piauí”.
Menin diz que isso se deve ao uso que os médicos fazem de “corticóides e anticoagulantes”, por exemplo. “As pessoas não têm que ficar em casa esperando. Elas têm que buscar logo o aconselhamento do médico”, segue ele.
O Einstein, localizado em região nobre de São Paulo, é um hospital que atende pacientes de alto poder aquisitivo, sendo considerado um dos melhores do Brasil. Já o estado do Piauí é um dos mais pobres do país.
O empresário dá também o exemplo de sua secretária, que pegou Covid-19 recentemente. “Levei ela no meu médico e ela tomou anticoagulante”, diz.
Menin diz que não defende a cloroquina, a hidroxicloroquina nem a ivermectina, como faz Bolsonaro, mas sim outras drogas para o “tratamento antecipado”.
Depois da primeira postagem, Menin retuitou uma postagem de seu filho Rafael em que ele dizia que “o uso de medicamentos correto (sic) salva vidas sim!”, citando “dexametasona, anticoagulantes, azitromicina, Regeron, Remdesevir (o correto é remdesivir) e o coquetel monoclonal da Eli Lilly”.
“Perfeito Rafael”, escreveu Rubens Menin ao reproduzir a mensagem. “Existem muitos medicamentos que minimizam os danos da COVID. Apesar de não existir cura, alguns tratamentos trazem resultados. Hospitais de renome tem protocolos que reduzem a mortalidade em relação à média nacional. Precisamos despolitizar a saúde”.
A OMS já alertou que não há comprovação de que o remdesivir, por exemplo, possa ser benéfico para o tratamento contra o novo coronavírus.
Estudos menores teriam mostrado que ele trouxe apenas benefícios marginais para alguns subgrupos da população.
O dono da CNN afirma que foi uma pura coincidência ter feito a postagem sobre o “tratamento antecipado” no dia em que a CPI da Covid ouviu médicos que defendem o tratamento com remédios sem eficácia comprovada por meio de estudos científicos.
Senadores como Renan Calheiros (MDB-AL) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) se recusaram a participar dos debates para não dar palco a um debate sem respaldo científico.
“Ninguém vai acreditar. Mas eu não estava acompanhando. Liguei a TV agora”, afirma ele.
Sobre o jornalista Alexandre Garcia, Menin diz que a CNN tem total autonomia e que ele não interfere no conteúdo jornalístico da emissora.
Diz que “a população brasileira precisa de educação” e que “a imprensa tem esse papel”.
E finaliza afirmando que se sentiu “na obrigação” de fazer a postagem porque os brasileiros estão “evitando os hospitais”, inclusive para o tratamento de outras doenças.
“Eu tenho [perfil no] Twitter há dez anos. Eu nunca falei mal de ninguém. Eu nunca falei de política. Meu Twitter sempre foi construtivo”, diz o dono da CNN.

Mônica Bergamo/Folhapress

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