Aliado de Bolsonaro, Osmar Terra admite à CPI erro em projeção da pandemia e é confrontado sobre imunidade de rebanho

Os senadores da comissão exploraram principalmente as previsões errôneas de Terra a respeito da pandemia e também sua defesa pública da imunidade de rebanho.
O parlamentar reconheceu que errou, mas justificou a situação argumentando que elaborou suas projeções com base nos dados disponíveis na época e também nas informações de epidemias anteriores.
Terra declarou que o Brasil teria no máximo duas mil mortes em decorrência da pandemia, mas o país já ultrapassou a marca de meio milhão de vidas perdidas.
“A China teve um surto completo. Ela começou, subiu, desceu e terminou. Tem 4 mil mortes na China até hoje. Era o surto que tinha na época para ser analisado: 4 mil mortes num país de 1,4 bilhão de habitantes nos levaram à ideia de que não seria uma coisa tão grave”, afirmou.
“O mesmo aconteceu com o surto da Coreia, 185 mortes. No navio Diamond Princess, sete pessoas morreram em 3,5 mil. Esses eram os dados, esses eram os fatos que tinham na época. E isso levou muita gente a fazer um julgamento otimista”, completou.
O parlamentar afirma que um dos motivos que levaram ao erro nas projeções foram as novas cepas do vírus. Terra também reconheceu que não tem uma equipe de assessoramento epidemiológico. Ele alegou que tem obrigação de dar opinião sobre a pandemia por ser político.
“Eu não tenho estrutura nenhuma, senador. Não sou gestor, não determino nada, não tenho recursos para isso. Eu sou uma pessoa que tem opinião e, como deputado, eu tenho obrigação de dar opinião. Se não nem justifica eu ser político, ter mandato. Eu sou obrigado a falar.”
Terra afirmou que os estudos iniciais eram “apocalípticos” e que por isso muitos gestores passaram a defender as práticas de isolamento social. Terra atacou as práticas, como o lockdown. Disse que era “fora da realidade” trancar as pessoas em casa por longos meses, enquanto a vacina não era desenvolvida.
Ao atacar o isolamento social, disse que essa medida não funciona e prova disso é a alta taxa de mortalidade nos asilos. “Eu quero chamar a atenção só para um dado aqui, que pra mim justifica: se isolamento funcionasse, não morria ninguém em asilo”, afirmou.
No entanto, especialistas alertam que a comparação não pode ser feita porque o fato de pessoas viverem em asilos não configura uma prática de isolamento social.
Os moradores dessas instituições constituem uma comunidade, na qual o vírus circula internamente, além de que funcionários e visitantes podem contribuir para infectar os internos. Além disso, trata-se de uma população extremamente vulnerável ao novo coronavírus.

Raquel Lopes e Renato Machado, Folhapress

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