Rejeição a Bolsonaro só é inferior à de Collor com tempo semelhante no governo, aponta Datafolha

Fernando Collor de Mello

Com a nova pesquisa Datafolha sobre a avaliação de seu governo, Jair Bolsonaro (sem partido) só fica atrás de Fernando Collor de Mello (então no PRN) na rejeição de presidentes eleitos desde 1989 e que acumulavam tempo semelhante no cargo durante o primeiro mandato (2 anos e 5 meses).
Na mesma altura do governo, em 1992, já perto de ser ameaçado pelo processo de impeachment, Collor somava 68% de ruim ou péssimo e tinha 21% de avaliação regular. A fatia de ótimo e bom, no entanto, estava em 9%, bem abaixo da registrada hoje pelo atual mandatário.
Bolsonaro faz um governo considerado ruim ou péssimo por 45% dos entrevistados pelo instituto. Outros 30% o consideram regular, enquanto, para 24%, a gestão é ótima ou boa. O índice dos que aprovam o atual governo é o pior até aqui desde o início do mandato, em janeiro de 2019.
Ainda na comparação com outros presidentes, Bolsonaro está em desvantagem significativa quando confrontado com os resultados obtidos, em condições semelhantes, por Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT).
O tucano, por exemplo, em maio de 1997, gozava de patamares confortáveis, com 42% de ótimo ou bom, 38% de avaliação regular e 18% de ruim ou péssimo.
Lula, em junho de 2005, tinha, respectivamente: 35%, 45% e 18%. No caso de Dilma, foram duas pesquisas do Datafolha em um intervalo curto em junho de 2013, mês marcado pela onda de protestos que foi um embrião do processo que, três anos mais tarde, culminaria no impeachment da petista.
O segundo levantamento feito naquele mês mostrou um derretimento da popularidade de Dilma, com quedas significativas em relação ao primeiro, realizado três semanas antes: 30% de ótimo ou bom (ante 57% no anterior), 43% de regular (ante 33%) e 25% de ruim ou péssimo (ante 9%).
Mesmo assim, o desempenho de avaliação alcançado hoje por Bolsonaro ainda é inferior ao da petista.
A série histórica da pesquisa mostra que, de dezembro para cá, a popularidade do atual ocupante do Palácio do Planalto despencou. A fatia de ótimo ou bom, que no último mês de 2020 atingia o recorde de 37%, foi caindo paulatinamente até chegar ao patamar de 24% (queda de 13 pontos percentuais).
Na mesma toada, o grupo dos que consideram o governo ruim ou péssimo, que em dezembro correspondia a 32%, cresceu sucessivamente até atingir os atuais 45% (alta também de 13 pontos).
Com os resultados mais recentes, é a primeira vez na série histórica do Datafolha sobre a avaliação do atual governo, iniciada em abril de 2019, que o presidente amarga, ao mesmo tempo, o maior percentual de rejeição e o menor de aprovação.
A nova rodada do Datafolha mostrou também um caminho pedregoso para Bolsonaro em sua já anunciada tentativa de reeleição, em 2022. Segundo o instituto, 54% dizem que não votariam nele de jeito nenhum, e o ex-presidente Lula, seu principal adversário, lidera a corrida para a Presidência.
O petista, que se livrou das condenações na Operação Lava Jato, conta com margem confortável no primeiro turno e venceria o atual presidente na segunda etapa do pleito.

Joelmir Tavares/Folhapress
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