Nós por nós: conheça coletivos que dão apoio às mulheres na pandemia

Brasília – Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver em Brasília, reúne mulheres de todos os estados e regiões do Brasil (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Em 2020, segundo balanço do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), 105.671 mulheres sofreram algum tipo de violência e denunciaram aos números oficiais do governo.
Em números não tão oficiais, o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) estima que, apenas no primeiro semestre do mesmo ano, 119.546 mulheres sofreram lesão corporal, 9.310 sofreram abuso sexual e 1.890 foram vítimas de feminicídio.
Uma análise, também produzida pela USP, tenta mostrar que esses números poderiam estar relacionados com a pandemia e a crise econômica e social. Segundo as pesquisadoras, com a chegada desses fatores as mulheres passaram a correr mais riscos.
E foi pensando nisso que a psicóloga Manuela Xavier decidiu criar um coletivo de psicólogas e psicanalistas feministas para acolher mulheres. “Todas as vezes que passamos por crises, a corda sempre arrebenta pelo lado das mulheres.” explica a psicanalista e integrante Lorena da Silva.
Escuta ética:
Buscando dar apoio psicológico a mulheres em situação de vulnerabilidade, o coletivo Escuta Ética foi criado assim que a Covid-19 chegou ao Brasil e hoje já conta com 50 profissionais em todos os estados.
“A partir do instagram dela (Manuela), ela convocou psicólogas e psicanalistas, que tinham na sua linha teórica, profissional, social e política, o feminismo”, completa Lorena. Hoje a conta do instagram do projeto tem mais de 15 mil seguidores.
O serviço inicialmente seria online e gratuito, porém com o crescimento inesperado, algumas coisas precisaram ser mudadas. Hoje, as profissionais atendem, além do formato sem custos, que conta com 12 sessões de psicoterapia breve e focal, com preços sociais, que são valores mais baixos, e de forma particular, com valores definidos por cada psicóloga.
“O coletivo existe justamente para que esses espaços sejam pensados para mulheres, diante de uma cultura que explora, que exclui, que silencia e que violenta, é necessário pensar nesses espaços que fazem a diferença de tantas mulheres”Lorena da Silva
Nós Seguras:
Como um braço do Escuta Ética, o coletivo Nós Seguras surgiu quando as psicólogas do outro projeto perceberam a gravidade de muitas situações que eram atendidas. Em conjunto com Manuela Xavier, a advogada Lívia Reis, que já falava de criminologia feminista em seu instagram, decidiram criar um novo projeto que assiste as mulheres de seus direitos. “Nós somos um coletivo atravessado pelo feminismo e pela responsabilidade social e política, então advogadas de todo o país se voluntariaram para, inicialmente, construirmos o coletivo.” Explica a advogada e participante, Yasmim Canário.
Assim como o Escuta, o Nós Unidas trabalha gratuitamente para atender e orientar juridicamente as mulheres de todo país. “A ideia é que possamos prestar um atendimento especializado e sensibilizado para cada região que a mulher se encontra”, completa a advogada
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Melhor Site de Notícias da Bahia. Direção Erasmo Barbosa.

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