O jornalismo que antecipa o problema e o jornalismo que só enxerga o óbvio

Foto ilustrativa

Lembro com saudosismo a inquietação da espera pelo senhor que trazia, em seu ombros, uma grande quantidade de Jornal A Tarde. Eu podia, então, utilizar minhas parcas moedas para saber o que acontecia na Bahia e no mundo. 
Aos domingos, eu esperava o entregador, que vinha de bicicleta, gritar a todo o pulmão: revista. 
Eu era então adolescente, magro, alto e curioso. Havia em mim uma fome de informação, um desejo de ser alguém mais bem informado que meus amigos e circuncidantes.
Esse efêmero poder, permitia que eu, jovem e tímido, pudesse participar das conversas até dos adultos, opinando dobre coisas de gente grande e com poder de citar a fonte e os redatores. 
Ali, voltando às mídias impressas impressas, haviam denúncias, reportagens que esclareciam crimes, escândalos que vinham à tona, sim tudo isso estava contido e faziam parte do pacote ansiosamente aguardado, a cada dia, a cada semana.
Só que havia muito mais: ali sabíamos dos filmes que seriam lançados, das peças teatrais que foram aplaudidas em pés, das tendências da moda de verão, fa entrevistas com personalidades do momento (quase nunca políticos).
Então o tempo passou - tudo passa - e ficamos reféns da mídia eletrônica, sem editores, sem conselho editorial, sem editores por áreas. 
Uma só pessoa passou a determinar o que nós todos gostaríamos de ler. Mudamos da água para o óleo. 
Passamos a nos contentar não somente com o óbvio, mas como diria o também jornalista Nelson Rodrigues: "com o óbvio ululante".

Dailton Moura Reis é advogado, formado pela UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e pós-graduado em Direito e Processo Tributário pela EPD – Escola Paulista de Direito
Compartilhar no Google Plus

Sobre Bahia Extra

Melhor Site de Notícias da Bahia. Direção Erasmo Barbosa.

0 comentários:

Postar um comentário