A crença como instrumento de suporte ao vazio da experiência humana

Toda crença tem sua gênese na dor, no pavor, no desejo de recompensa e no prazer. Esses ditos gatilhos são as portas abertas para aceitar o que os mercadores da fé passam a oferecer, de dentro das suas coloridas, barulhentas e iluminadas carruagens.
Existe a oferta do carimbo que garante a salvação presente e futura, com, é claro, o perdão e o esquecimento do passado. Tudo isso para ir cantar com anjos e participar da ceia celestial.
Existem ainda os sortilégios, as iniciações, os rituais, as fórmulas do sucesso e a pedra filosofal , tudo à disposição de quem pode pagar, para com tais badulaques serem capazes de garantirem o reino dos Céus, logo aqui na Terra, diga-se de passagem. 
Existem os ditos instruídos, graduados, licenciados, mestres, doutores, pos-doc, ou mesmo os chincheiros de Humanas, que encontraram em Marx o seu Deus, em Gramsci seu profeta e nos professores sem publicações decentes os seus discípulos. Da direita que nunca foi direita, surgem os economistas sem cátedra, os filósofos sem graduação, os engomadinhos que querem revisar a história pátria. 
Mas todos eles, após o sexo, a coca, o álcool, o THC, as conversas sobre revolução e contra-revolucao, a. Compartilhada massagem de egos, chegam em casa e sentem o vazio intrínseco ao Homem, a constatação de que somos um nada e jamais seremos coisa alguma. 
Resta pegar um livro ou ligar o notebook, buscando mais uma dose de ideologia, até a energia da mente ceder, os olhos doerem e o corpo ceder ao sono... a única e efetiva forma de vislumbrarmos a efêmera forma de fantasia e salvação.

Dailton Moura Reis é advogado, formado pela UESB – Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia e pós-graduado em Direito e Processo Tributário pela EPD – Escola Paulista de Direito
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